5 de mai. de 2011

Vale recicla seus pneus usados

Vale começa a reciclar os pneus usados na mineração
A reciclagem de pneus para caminhões de mineração, que podem ter quatro metros e meio de diâmetro e pesar até quatro toneladas, representa um desafio para as empresas do setor.

Com um estoque de 6 mil pneus usados, dos quais 3 mil em Carajás, no Pará, a Vale testa uma nova tecnologia capaz de resolver esse passivo ambiental gerado nas últimas décadas.
O método consiste em cortar os pneus em peças de um metro de comprimento com uma tesoura hidráulica acoplada a uma escavadeira.

Em Carajás, o equipamento já cortou 600 pneus usados. As projeções da Vale são de que em 2011 e 2012 a empresa descarte mais 4 mil pneus em suas minas no país. A empresa tem planos de começar a operar, a partir de setembro, uma segunda tesoura hidráulica em Minas Gerais. Cada equipamento custa cerca de R$ 1,5 milhão.
A reciclagem de pneus de mineração rodas que podem ter quatro metros e meio de diâmetro e pesar até quatro toneladas cada representa um desafio para empresas do setor, como a Vale.

A mineradora acumula em suas operações no Brasil estoque de seis mil pneus usados, dos quais 3 mil encontram-se em Carajás, no Pará. É ali, na região amazônica, que a Vale implantou projeto para testar tecnologia capaz de resolver passivo ambiental gerado nas últimas décadas. A solução encontrada também tende a evitar que pneus descartados no futuro continuem a se acumular, repetindo o que aconteceu no passado.
A tecnologia consiste em cortar os pneus em peças de um metro de comprimento com tesoura hidráulica acoplada a uma escavadeira móvel. Esse tipo de ferramenta é usada na siderurgia, mas não é comum na mineração.

As projeções de crescimento da produção de minério de ferro da Vale para os próximos anos levaram a empresa a analisar alternativas para descartar os pneus de forma sustentável. Em 2011, a meta da Vale é produzir 311 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que em 2015 poderá alcançar 522 milhões de toneladas, quase 70% a mais. Esse crescimento, concentrado em Carajás, vai exigir novos caminhões nas minas e, como resultado, mais pneus serão descartados.
Antes de decidir pelo uso da tesoura hidráulica, a Vale analisou a possibilidade de utilizar outras técnicas para reciclar os pneus como a pirólise, processo em que se faz a decomposição química do produto. Mas depois de discussão em seminários dos quais participaram fornecedores de pneus optou-se pela tesoura. Historicamente, a Vale tinha dificuldades para eliminar os pneus usados, pois o corte manual é muito demorado.

O tempo para se cortar um pneu chegava a uma semana. A saída era fazer o reuso de parte dos pneus em defensas de navios, amuradas e suportes de taludes nas minas.
Leo Pinheiro/Valor


Colombaretti, diretor de desenvolvimento: “Vale pode exportar a tecnologia”
Em Carajás, a tesoura já cortou 600 pneus. Em média, o equipamento leva 30 minutos para cortar o pneu em até oito partes de um metro cada.

As projeções da Vale são de que em 2011 e 2012 a empresa descarte mais 2 mil pneus por ano 4 mil no total em suas minas no país. A empresa tem planos de começar a operar, a partir de setembro, uma segunda tesoura hidráulica em Minas Gerais. Cada sistema tesoura-escavadeira custa cerca de R$ 1,5 milhão.

No futuro, a empresa poderá exportar a tecnologia para suas operações no exterior, caso do Canadá, Moçambique, Austrália e Indonésia, disse Rodrigo Colombaretti, diretor de desenvolvimento e inteligência de suprimentos da Vale.
Segundo ele, não é objetivo da empresa gerar receita com o uso da tecnologia. O desafio foi criar um processo eficiente que permitisse reduzir o tamanho dos pneus e utilizar processos de reciclagem. Pela dimensão dos pneus de mineração, não é possível valer-se de processos de trituração aplicados aos pneus de carros convencionais.

“O pneu de mineração é muito pesado e, em sua composição, existe um aço mais reforçado do que o pneu de um carro”, disse Colombaretti.
O diretor afirmou que a Vale é a responsável, perante a legislação ambiental, pela destinação final a ser dada aos pneus usados pelo fato de a própria empresa importar os pneus de maior envergadura entre 51 e 63 polegadas dos Estados Unidos e do Japão.
O executivo afirmou que a Vale estuda fazer parceria para implantar no Pará uma unidade para triturar os pneus usados.

O material resultante poderia servir de insumo para produção de concreto ecológico e de asfalto borracha a ser usado nas obras da mineradora na região. Hoje, depois de cortados, os pneus deixam Carajás e são transportados em caminhão até uma empresa, em São Paulo, cujo nome a Vale não revela, que se encarrega de triturar o material e separar a borracha do aço.
Os resíduos de aço são vendidos para siderúrgicas que os utilizam como sucata.

Já os restos de borracha têm aplicações variadas: servem para substituir parte do coque verde de petróleo na produção de cimento e também são usados como matéria-prima por fabricantes de artefatos de borracha que produzem itens como tapetes de carro, grama sintética e solados para calçados. Uma parte menor dos resíduos de borracha dos pneus vai para produzir asfalto-borracha e concreto ecológico usado em obras da própria Vale e na fabricação de dormentes para trilhos.
Valor Econômico, Francisco Góes

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