As novas competências requeridas vão ao encontro de um trabalhador que deve consciente e voluntariamente “liberar” a própria inteligência no processo produtivo ou seja obter dele fidelidade e disponibilidade e de levar a cabo uma “mobilização total” que ative suas capacidades intelectuais
e seus resíduos de criatividade. Trata-se, pois, de subjugar ao capital as dimensões existenciais, subjetivas, da força de trabalho e assim fazer do pertencimento à empresa a única subjetividade possível
(Revelli, Destre & Boringhieri, 1996).
Ora, a experiência vivida por esses trabalhadores na qual o sentido de pertencimento se dava a partir de um trabalho do qual detinham o controle,não encontra espaço na nova estrutura onde não é só a ruptura da
base técnica do transporte marítimo, mas também as formas de controle social impostos pelas novas tecnologias e o novo sistema de governança condicionantes de uma nova identidade.
No passado, as próprias características de seu trabalho ocasional, sua condição funcional, imobilizando aqueles trabalhadores na busca por outros empregos e no aprimoramento educacional.
A adequação às transformações que hoje se processa, portanto, não se circunscreve exclusivamente ao campo da capacitação para o processo de trabalho. É preciso que esses trabalhadores, como sujeitos coletivos, estejam também se reconstruindo a partir do novo trabalho, cujos espaços, como antes,
possuem estatuto social de embates, de negociação e também de formação.Assim sendo, entende-se que a transição da experiência passada para a transformação atual só é possível a partir da apropriação de conhecimentos mais aprofundados sobre a lógica da transformação, o que permitirá elucidar as possibilidades e os limites que envolvem as relações entre capital e trabalho no porto e assim tornar possível um entendimento crítico e construtivo do processo de mudança.
possuem estatuto social de embates, de negociação e também de formação.Assim sendo, entende-se que a transição da experiência passada para a transformação atual só é possível a partir da apropriação de conhecimentos mais aprofundados sobre a lógica da transformação, o que permitirá elucidar as possibilidades e os limites que envolvem as relações entre capital e trabalho no porto e assim tornar possível um entendimento crítico e construtivo do processo de mudança.
O ajuste é de monta significativa, pois em termos internacionais o que se verificou foram esvaziamentos econômicos nas cidades onde os grandes portos se encontravam.Fabre , Hayot e Godoy , mostram num estudo em seis modernos portos europeus
– Barcelona , Hamburgo , Marselha , Roterdãn , Liverpool e Gênova – que as transformações tecnológicas resultaram, em quase todos eles, nos mesmos efeitos sociais tais como: perda de 100.000 habitantes em Marselha em 15 anos; perda de 50.000 em Barcelona em 15 anos; 120.000 em Gênova em vinte anos; 265.000 em Hamburgo, em 25 anos, e 400.000 em Liverpool,o que representa metade de sua população em 20 anos.
Quanto ao mercado de trabalho no porto de Liverpool, houve aumento de 27% da taxa de desemprego,
o dobro da média nacional em 1991. Marselha teve taxa de desemprego de 18% em 1991 e Hamburgo, de 8,8%. Em Roterdã, onde se situa o maior porto do mundo, essa taxa atingiu 20% em 1988.
Quanto ao mercado de trabalho no porto de Liverpool, houve aumento de 27% da taxa de desemprego,
o dobro da média nacional em 1991. Marselha teve taxa de desemprego de 18% em 1991 e Hamburgo, de 8,8%. Em Roterdã, onde se situa o maior porto do mundo, essa taxa atingiu 20% em 1988.
No porto de Santos, o processo atual não incorporou nenhuma mudança no conceito de produtividade, pois permanece centrado na relação quantitativa – produção por horas/homem.
Além disso, o processo se dá em um ambiente de supervisão estranhada OGMO que aguça os conflitos no espaço de trabalho.
O uso do saber não se dá mais por um conjunto de conhecimentos que os trabalhadores manipulavam a seu favor, como no passado, mas por um conjunto de técnicas que deve ser apreendido para além do trabalho prescrito, exigindo um aumento de dedicação e do empenho agora usados a favor da empresa.
É para estes elementos operativos que os requisitos de qualificação estão se voltando
Além disso, o processo se dá em um ambiente de supervisão estranhada OGMO que aguça os conflitos no espaço de trabalho.
O uso do saber não se dá mais por um conjunto de conhecimentos que os trabalhadores manipulavam a seu favor, como no passado, mas por um conjunto de técnicas que deve ser apreendido para além do trabalho prescrito, exigindo um aumento de dedicação e do empenho agora usados a favor da empresa.
É para estes elementos operativos que os requisitos de qualificação estão se voltando
Agora, a construção social da existência requer a sua tradução cognitiva que só o conhecimento especializado pode interpretar para a reconstrução dos nexos entre causas e conseqüências, e o que torna as vivências especializados de conhecimento para a partir daí se chegar à percepção e interpretação da sociedade como um todo .
A alteração nos perfis de habilidade requerida pela introdução de sistemas computarizados e, principalmente, a mudança no sistema de governança no porto fraturaram os espaços de manobra que, no passado, tinham fornecido sólidas localizações para esses trabalhadores e a sua experiência vivida, ainda
enraizada, não lhes permitem formular saídas concretas para o impasse.
Essa experiência mostra que as implicações sociais da atual transformação não estão inscritas no processo tecnológico nem nas suas demandas por conhecimento, mas nas relações sociais que presidem a utilização da tecnologia. Os homens que formaram esta classe são trabalhadores educados e socializados na tradição do ofício, o que ajudou na formação das suas identidades.
enraizada, não lhes permitem formular saídas concretas para o impasse.
Essa experiência mostra que as implicações sociais da atual transformação não estão inscritas no processo tecnológico nem nas suas demandas por conhecimento, mas nas relações sociais que presidem a utilização da tecnologia. Os homens que formaram esta classe são trabalhadores educados e socializados na tradição do ofício, o que ajudou na formação das suas identidades.
A modernização em curso, ao demandar por “outros saberes”, elimina o sentido tradicional do ofício e anula suas ações estratégicas nascidas de experiências vividas e ressignificadas em chão conhecida.
O atual terreno não permite uma adaptação a partir da tradição.
O trabalho, portanto, como referência histórica, não pode ser entendido exclusivamente pelo tipo de atividade que realiza, mas pela sua articulação em certas relações sociais de subordinação, poder, cooperação,autonomia, cultura, estética e moral.
As possibilidades ou impossibilidades de adequação desses trabalhadores às novas demandas frente à modernização do trabalho, implica então uma concepção de capital humano que corresponda a uma inversão em benefício do homem e de seu desenvolvimento como um recurso criador e produtivo .
O trabalho, portanto, como referência histórica, não pode ser entendido exclusivamente pelo tipo de atividade que realiza, mas pela sua articulação em certas relações sociais de subordinação, poder, cooperação,autonomia, cultura, estética e moral.
As possibilidades ou impossibilidades de adequação desses trabalhadores às novas demandas frente à modernização do trabalho, implica então uma concepção de capital humano que corresponda a uma inversão em benefício do homem e de seu desenvolvimento como um recurso criador e produtivo .
Para tanto, as novas formas de capacitação,além daquela que partem da posição a ser ocupada no processo de trabalho e previamente estabelecida nas normas organizacionais da empresa,
devem privilegiar a dimensão da capacitação, que faz com que os trabalhadores, sujeitos no e do trabalho, tenham virtualmente a possibilidade de se apropriarem critica e construtivamente do conteúdo e do contexto de realização do próprio trabalho.
devem privilegiar a dimensão da capacitação, que faz com que os trabalhadores, sujeitos no e do trabalho, tenham virtualmente a possibilidade de se apropriarem critica e construtivamente do conteúdo e do contexto de realização do próprio trabalho.
Isso significa que, alem da compreensão dos novos marcos reguladores entre capital e trabalho, da lógica que presidem as transformações tecnológicas, da dinâmica histórica das questões sindicais e trabalhistas, ainda além das novas formas de apropriação do valor pelo capitalismo hiper-competitivo, elementos que se apresentam como articuladores do processo de ressignificação impostos a esses trabalhadores, é necessário o desenvolvimento de competências sociais que seja capaz de articular processos cooperativos e solidários pelos quais se desenvolve o verdadeiro projeto emancipatório.

Nenhum comentário:
Postar um comentário