2 de ago de 2017

Os Incêndios na Ilha Barnabé

 Incêndios e explosões nos terminais químicos da Ilha Barnabé – Santos 
A Ilha Barnabé está inserida na área do porto organizado de Santos. Está ligada ao continente por uma obra de aterro, construída em meados do século XX, onde estão reunidos mais de cinco terminais químicos. O primeiro deles, de combustíveis, foi inaugurado em 26.01.1930. É assim denominada por ter pertencido ao Sr. Francisco Vaz Carvalhaes, Comendador Barnabé, meados do século XVI .
A Ilha Barnabé já foi “palco” de muitos acidentes graves, gerando incêndio de grandes proporções, causando ferimentos em trabalhadores, óbitos, danos ao patrimônio e impactos ambientais. Por isso é considerada popularmente: “um barril de pólvora”. De acordo com A Tribuna , o primeiro acidente registrado ocorreu em 24.01.1951, quando o petroleiro Cerro Gordo, que descarregava petróleo e derivados, pegou fogo: “a população temia que o combustível vazado no estuário pudesse causar incêndio nos tanques da ilha”. Depois foi em 02.09.1969, quando o petroleiro Guaporé se incendiou e “obrigou a equipe de segurança da ilha a trabalhar rápido no resfriamento dos tanques de estocagem”. Em 29.07.1974, após o vazamento de 3.150 litros de tolueno para o estuário, houve uma explosão, causando a morte de um trabalhador e ferimentos em outros.

 Em 10.10.1991, dois tanques com acetato de vinila e acrilonitrila, se incendiaram após um deles tanques ter sido atingido por um raio. Não houve vítimas, mas o episódio “causou grande apreensão em toda a Baixada Santista”. 

Em setembro de 1998, durante o carregamento inadequado de caminhão-tanque com produto inflamável, diciclopentadieno, houve incêndio seguido de explosão, gerando muito pânico em Santos, em Vicente de Carvalho e toda área portuária, pois as labaredas atingiram mais de dez metros de altura .
 A rápida mobilização dos brigadistas de combate a incêndio deste terminal e dos terminais vizinhos, a chegada do Corpo de Bombeiros e o acionamento do Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos, otimizaram as ações de resposta, pois o fogo foi controlado aproximadamente 1h30 após seu início. No entanto, as ações de contenção do produto vazado e dos agentes utilizados na extinção do incêndio não foram consideradas, e houve poluição do estuário. As chamas afetaram árvores de mangues que estavam nas proximidades . O Jornal A Tribuna publicou matéria intitulada “Fogo na Ilha Barnabé põe a cidade em perigo” : “Labaredas de fogo tomaram conta de parte da Ilha Barnabé”... “Nesta ilha são armazenados cerca de 170 milhões de litros de produtos químicos, o maior volume do país”.  As chamas foram controladas uma hora e meia após a primeira explosão, às 12h15 e ninguém ficou ferido. “Além da nuvem de fumaça provocada pelo incêndio, o fogo podia ser avistado do outro lado do canal, em Santos. Do meio do estuário, a visão ainda era mais assustadora.” Mais de 100 homens trabalharam no combate ao fogo, “o maior da Ilha Barnabé desde 1991”. 

Com base na teoria da Amplificação Social de Riscos desenvolvida por Kasperson et. al. (1988) e por Leschine (2001), foram relacionados alguns indicadores que contribuem para ampliar os riscos socioambientais em emergências químicas em áreas portuárias, o que também pode ser válido para outras áreas: - atitudes fundamentadas em baixa percepção de risco e no egocentrismo, - relação entre a periculosidade do produto (ou substância) envolvido, quantidade liberada e sensibilidade do ambiente ao entorno da fonte do vazamento ou local do acidente ; - distância entre a fonte do vazamento ou local do acidente e áreas atingidas; - ocorrência de feridos e vítimas fatais, - contaminação de ecossistemas sensíveis com baixa capacidade de recuperação natural como manguezais e áreas abrigadas de fortes ondas, - ocorrência de mortandade de peixes, aves entre outros animais, - demora para acionamento das autoridades competentes, as quais podem otimizar a operação de resposta; - demora entre o tempo de detecção da ocorrência e de contenção do produto próximo à fonte do vazamento - dificuldades para mobilização imediata de recursos (humanos e materiais) para combater à situação de emergência;
- ausência ou desconhecimento do plano de ação de emergência da empresa (porto ou terminal), o qual abrange falta de preparo prático para lidar com situações de maior gravidade; e - conflitos entre diversos atores envolvidos na coordenação.

 De maneira oposta às atitudes que contribuíram para amplificar as consequências dos acidentes, há ações significativas que podem atenuá-las, tais como: 
 a rápida atuação das autoridades portuárias e dos práticos, no porto de Santos;a rápida e efetiva mobilização de recursos humanos e materiais dos terminais e do Corpo de Bombeiros para controlar o incêndio nos terminais químicos da Ilha Barnabé (Santos) .

Uma coisa e certa os acontecimentos foram fundamentais para o surgimento de procedimentos operacionais para enfrentar tais ocorrencias e uma forma de superar estes acontecimentos são as constantes e necessárias simulações .

PAM do Porto de Santos faz simulado contra incêndio na Ilha Barnabé

Equipes de segurança dos terminais agiram contra combate de fogo a tanque de gasolina.
O Plano de Ajuda Mútua (PAM) do Porto de Santos realizou, na manhã do dia 27 de julho, simulado de treinamento de combate a incêndio em um tanque de gasolina localizado dentro de um terminal na Ilha Barnabé, em Santos.

Quatro terminais participaram do simulado, a atividade ocorreu por cerca de uma hora, dentro terminal de granéis líquidos da Adonai Química S/A,no tanque de combustível 3202, o que oferece maior risco na Ilha Barnabé localizada na Margem Esquerda do Porto, e envolveu ainda outras três empresas, além de equipes da Codesp e do Corpo de Bombeiros.



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