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25 de jan. de 2024

A gestão desqualifica o avulso?

 

A mão de obra avulsa é muito importante para qualquer sistema portuário mundo afora, melhor, os grandes portos da América e o porto mais eficiente da Europa utilizam esta modalidade de prestação de serviço na movimentação de carga, são estes os trabalhadores amparados pela Convenção 137 (OIT). No Brasil está mobilidade de mão de obra é tão atacada pelo operador portuário, mesmo este sendo o responsável pelos procedimentos na gestão da mão de obra do OGMO no porto organizado.

Hoje vemos uma máquina de propaganda e marketing que negativa a mão de obra avulsa: é uma mão de obra obsoleta, sem qualificação e que não veste a camisa por não possuir o perfil desejado. Não podemos esquecer que os Órgãos Gestores da Mão de Obra (Ogmo) vão surgir na Lei 8.630 por intermédio do lobby das entidades estivadoras, nos que diz respeito a gestão da mão de obra e feita totalmente pelos funcionários escolhidos pelo sindicato dos operadores portuários diferente do que ocorre nos portos europeus e da América do Norte que o OGMO local e tripartite trabalhadores, empresários e governo.

A grande questão que impulsiona a mídia e os eventos, é o valor que recebe o trabalhador portuário avulso. Pois, se o soldo fosse a média nacional de salários baixos as relações de trabalho, que são definidas na Lei dos Portos seriam magnificas, na prática, para o empreendedor.

Retornando a organização da gestão da mão de obra os Ogmos. Funcionam muito bem, com os trabalhadores organizados e treinados para atender as necessidades operacionais dos portos?

Na Escalação da mão de obra a gestão tem o dever de cumprir, corretamente, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), nas requisições de equipe e fainas. Quais sãos os critérios de escalação que deve ser obedecida no rodízio dos trabalhadores. Como foi feita a análise da realidade do sistema operacional, quais são os limites da composição de equipes de trabalho nos aspectos ergonômicos e de saúde e segurança. Ou como é feito o cálculo de quantos trabalhadores portuários avulsos são necessários no sistema do complexo portuário.

Qual a força maior necessária para uma política de implantação de multifuncionalidade total, inclusive com o processo de migração de uma atividade para outra, antes de concursos de acesso de novos trabalhadores. Com objetivo de atender as necessidades dos vários operadores portuários.

E na formação e requalificação os trabalhadores têm acesso aos novos equipamentos que chegam ao porto para movimentação de cargas. Neste segmento o segundo pilar do ESG está na pauta da organização da gestão de mão de obra ou mesmo do operador portuário, pois, este e quem contrata o colaborador que colabora na implantação de sua convicção na gestão da mão de obra no porto organizado.

Está prestes a completar 30 anos da primeira Lei dos Portos 25 /02/ 1993 e como está o trabalho portuário para os trabalhadores. Ela na lei trouxe normas disciplinares que acabou demostrando que os trabalhadores em sua maioria tem responsabilidade com sua profissão. Tao e verdade este fato, que hoje no porto de Santos os especialistas da celulose está sentido na pele a política de redução de custo se chocando com a política de time is money.

No III Congresso de Direito Marítimo e Portuário, realizado na cidade de Santos, especialistas do setor portuário e marítimo acreditam que o Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) é imprescindível na gestão da mão de obra avulsa.

Para a procuradora do Trabalho da Coordenadoria Nacional do Trabalho Portuário e Aquaviário (CONATPA), do Ministério Público do Trabalho, Dra. Flávia Oliveira Veiga Bauler, o órgão foi criado para favorecer a profissionalização do trabalhador portuário e igualdade de acesso.

Por isso que o recrutamento de trabalhadores portuários deve ser feito apenas por meio do OGMO, pois, a atividade portuária tem uma função pública. Por isso, exige respeito ao direito, sociais e visão dos interesses públicos e comunidade no redor do porto.

Para Drucker (1993), a única coisa que será cada vez mais importante, tanto na economia nacional como na internacional, é o desempenho gerencial para tomar produtivo o conhecimento. E na atividade laboral portuária não seria diferente.

Qual o objetivo geral da gestão da mão de obra do trabalho portuário. Ele e pautada numa metodologia aplicada em um modelo baseado em critérios e requisitos vocacionados para atender as necessidades do porto organizado que o Ogmo está instalado.

 Em vários meios de comunicação este objetivo não foi alcançado por meio dos gestores contratados ou indicados pelo sindicato dos operadores portuários. As críticas publicadas e elaboradas em palestras sempre tornam impercebível, qual é a metodologia utilizada na contratação dos indicados a colaboradores dos operadores portuários no OGMO. Mas em nenhum momento poupa, críticas aos trabalhadores portuários avulsos. 

Esta política adotada deixa transparecer que os especialistas validam os critérios utilizados pelos operadores. Como é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a ineficiência de um Ogmo e o impacto sobre a operacionalidade acima das pranchas na logística portuária. Traduzido em constantes quebras de recordes.

 

Peter Drucker acreditava que o trabalho do administrador é planejar, organizar, ajustar, medir e formar pessoas. Em suma, para ele “administração é fazer as coisas direito”

https://santaportal.com.br/iii-congresso-de-direito-maritimo-e-portuario/especialistas-defendem-que-o-ogmo-e-imprescindivel-na-gestao-da-mao-de-obra-avulsa/

16 de jan. de 2024

O que acontece para além do mar Vermelho.

 Porque o grupo de milícias Houthi, continuoa a atacar a navegação comercial, atingindo um navio de carga de propriedade americana com um míssil balístico.

O ataque contra o Gibraltar Eagle, de bandeira das Ilhas Marshall, representou um alargamento do teatro de guerra para além do Mar Vermelho, até ao Golfo de Aden.

O Qatar tornou-se o mais recente grande utilizador de navios de carga a anunciar que não enviará gás líquido através do Mar Vermelho. Diz-se que o nível de tráfego caiu acentuadamente desde os ataques dos EUA e do Reino Unido na quinta-feira.

Os Houthis, um grupo xiita que luta pelo controlo do Iémen há mais de 20 anos, dizem que os mais de 30 ataques a navios comerciais nas últimas seis semanas fazem parte de um esforço para pressionar Israel a permitir mais ajuda humanitária cegue a Gaza.

O negociador-chefe dos Houthis, Mohammed Abdulsalam, disse na segunda-feira que a posição do grupo não mudou após os ataques liderados pelos EUA e indicou que os ataques continuariam em navios com destino a Israel: “Nossa posição sobre os acontecimentos na Palestina e a agressão contra Gaza não mudou e não mudaria, nem depois do ataque, nem depois das ameaças.

“Os ataques para impedir os navios israelenses ou aqueles que se dirigem aos portos da Palestina ocupada continuam.”

Os Houthis dizem que um cessar-fogo israelita em Gaza levaria imediatamente ao livre fluxo de navios através do Mar Vermelho e aumentaria a pressão sobre as cadeias de abastecimento globais.

No domingo, um caça a jato dos EUA também abateu um míssil de cruzeiro disparado por Houthi, disparado de áreas Houthi e direcionado ao destroier americano USS Laboon. Na manhã de segunda-feira, a agência de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido informou que um navio não identificado havia rechaçado, dois pequenos navios que tentavam embarcar.



O embaixador do Reino Unido no Iémen, Abda Sharif, reuniu-se no domingo com o primeiro-ministro do PLC, Dr. Maeen Abdul Mali, para discutir o futuro do plano de paz da ONU para o Iémen e como evitar que o movimento Houthi aproveite uma onda popular de apoio, projetando constitui um dos poucos grupos no Médio Oriente, dispostos a mostrar solidariedade ativa com os palestinianos em Gaza. No fim de semana, grandes multidões Houthi gritavam: “Não nos importamos e faremos disso uma guerra mundial”.

Na segunda-feira, duas horas antes do ataque ao navio Gibraltar Eagle, IMO: 9702508 Bulk Carrier de 2015, um míssil de cruzeiro disparado de áreas controladas pelos Houthi falhou durante o voo e aterrou no mar sem causar danos.

A luta contínua e um dia depois de outro navio e atingido. O graneleiro MT Zografia, de propriedade grega, com 24 tripulantes a bordo, navegava vazio de carga do Vietnã para Israel quando foi atingido por um míssil ao largo do Iêmen enquanto transitava em direção ao norte, no Mar Vermelho.

 A agência da Marinha Real de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) – que fornece informações de segurança para a navegação mercante – também disse ter recebido um relatório de um “incidente” 100 milhas náuticas a noroeste do porto iemenita de Salif.

Mas qual será o custo para a sociedade e como o mercado vai querer lucrar com este conflito de apoio a luta palestina.

​https://www.theguardian.com/world/2024/jan/15/cargo-ship-near-yemen-reportedly-hit-by-missile-as-fears-grow-conflict-could-spread

https://www.yemend.com/news17565.html

https://news.sky.com/story/yemen-cargo-vessel-reportedly-hit-by-missile-13049542

11 de jan. de 2024

Audiência dos estivadores com o Santo Padre no Vaticano.

 Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio (Buenos Aires, 17 /12/ 1936), é um sacerdote católico que serve atualmente como o 266.º bispo de Roma e soberano do Estado da Cidade do Vaticano, além de ser o primeiro papa a ser membro da Companhia de Jesus (Jesuítas), o primeiro das Américas, o primeiro do Hemisfério Sul, e o primeiro nascido ou criado fora da Europa desde o papado do século VIII do Papa Gregório III.

 Ao longo de sua vida pública, o Papa Francisco se destacou por sua humildade, preocupação com dignidade social e tem compromisso com o diálogo. E por sustentar que a Igreja deve ser mais aberta e acolhedora. Seguindo este entendimento recebeu os estivadores do IDC International Dockworkers Council demostrando a comunidade portuária mundial que não compreende como positiva a ganância que gera precarização nos portos e a falta de respeito a profissão dos estivadores pelos gestores portuários.

Ontem, quarta-feira, 10 de janeiro de 2024, o IDC, através de uma delegação internacional liderada pelo Coordenador Geral do IDC, Dennis A. Daggett, e o coordenador do trabalho da IDC, Jordi Aragunde, participaram de uma Audiência com o Santo Padre.

Seguindo a sábia abordagem do Papa Francisco sobre o direito à habitação, ao trabalho e à terra, o IDC comprometeu-se a trabalhar na mesma linha.

Criando um grupo de trabalho conjunto com a Conferência Episcopal para apoiar comunidades e trabalhadores portuários.

Foi alcançado um compromisso para a criação de uma rede entre a IDC e as Universidades Pontifícias para a formação sindical e laboral dos trabalhadores.

Antes do encontro com o Papa Francisco, o IDC reuniu-se com o seu gabinete assessor, liderado pela Dra. Emilce Cuda e Padre Baggio, para cooperar conjuntamente pela paz através das comunidades.

Fruto dessa reunião, saiu uma proposta de colaboração com o grupo de trabalho tripartido com a OIT, com vista à ratificação e aplicação dos tratados laborais internacionais, peça-chave para o desenvolvimento da atividade sindical e para a realização de progressos para os trabalhadores portuários.

Nos próximos meses continuaremos as reuniões como planejado.

Foi um encontro magnífico, uma experiência única que culminou com a entrega a Sua Santidade de um quadro de Benito Quinquela Martín, símbolo já da nossa organização.

Vale destacar a grande emoção do Papa Francisco ao receber o presente, pelas suas origens argentinas.

Os estivadores estão emocionados e orgulhosos, pois, acreditam que estas conversas podem gerar frutos positivos para todos os portos no mundo.


7 de jan. de 2024

Quale a dá terceirização.

 As lutas dos trabalhadores são entendidas como reivindicações para dignidade familiar junto da sociedade. Para Fraser (2006a; 2007; 2008) e Honneth (2015), a terceirização, engendram uma expansão do conteúdo de justiça das lutas do trabalho, aproximando-as das lutas minoritárias.

Mas qual é a análise do entendimento sobre a terceirização no Brasil.

Foram identificados três eixos contrários à terceirização: econômico, jurídico e moral. No eixo econômico, a terceirização e uma retomada de formas de exploração do trabalho, características do século XIX e constroem o falso discurso do liberalismo. No eixo jurídico, a fragmentação da classe trabalhadora e a precarização das condições de trabalho, a organização dos trabalhadores é uma conquista social.

O eixo moral ultrapassa as categorias do paradigma social e se subdivide em duas questões. A primeira delas é a questão do valor social do trabalho, por meio da qual é denunciado o desrespeito da sociedade em relação aos trabalhadores e às suas conquistas históricas. A segunda questão é a da dignidade nas relações de trabalho e de formação de um grupo de trabalhadores de segunda classe.

A terceirização promove uma desumanização das relações de trabalho e produz um grupo de trabalhadores de segunda classe.

A primeira demonstração, da desumanização das relações de trabalho, remete à ausência de tratamento igualitário entre trabalhadores diretos e terceirizados nos ambientes de trabalho em que estes convivem. Sendo assim, a terceirização produz injustiças não apenas econômicas e legais, mas também morais, porque o trabalhador terceirizado teria um valor moral inerentemente menor do que os trabalhadores diretos, simplesmente por ser terceirizado. Este argumento, presente no discurso dos representantes do “trabalho”, é amparado por três afirmações: a) a vida do trabalhador terceirizado vale menos; b) a terceirização faz do trabalhador uma mercadoria; c) a terceirização expõe o trabalhador ao trabalho análogo ao de escravo.

A primeira afirmação, de que a vida do trabalhador terceirizado vale menos, está baseado nos dados sobre mortes, acidentes e sobre as normas de segurança e saúde no trabalho. Na audiência pública, a socióloga Graça Druck (UFBA) informou sobre o índice de acidentes de trabalho entre terceirizados: no setor do petróleo, “95 e 100% dos acidentes - inclusive os chamados acidentes fatais, ocorre entre trabalhadores terceirizados”; no setor elétrico, “esse dado é 75%”. Além disso, “fiscalizações do Ministério do Trabalho e ações civis” demonstra que “100% das empresas terceirizadas vêm desrespeitando normas de saúde e segurança do trabalho”.

A segunda afirmação a terceirização faz do trabalhador uma mercadoria - faz referência aos casos em que terceirização equivale ao marchandage, ou seja, à locação de força de trabalho. Como coloca, na audiência, o desembargador Márcio Viana (TRT-MG), o caso de “uma empresa que fornece trabalhadores a outra para fazer conservação e asseio”. Este é o tipo de terceirização “que mais preocupa”, no qual “o que se transfere passo-a-passo é a própria força de trabalho”. Este tipo de terceirização seria “quase sempre interna”, o que teria por consequência que uma “empresa engole os trabalhadores de outra”. Essa terceirização discrimina, cria uma subespécie de trabalhadores, cujos corpos são negociados por um intermediário que os aluga quase como animais (Márcio Túlio Viana, Desembargador TRT-MG).

Nesse sentido, a terceirização teria o potencial de tornar os trabalhadores meras mercadorias a serem deslocadas de uma empresa a outra, de acordo com a necessidade destas, sem respeito à dignidade daqueles.

Grandes empresas buscam custos baixos para a produção de seus artigos, que posteriormente são vendidos a altos preços. Tudo vale em busca do lucro.



Por sua vez, a afirmação de que os trabalhadores terceirizados não apenas teriam menos direitos do que os trabalhadores diretos, como também sofreriam discriminação nos ambientes de trabalho. Compartilhando suas experiências como juiz do Trabalho, Renato Sant’Anna (ANAMATRA) afirma que “o trabalhador terceirizado é visto como coisa”:

[…] ele é visto como um empregado de segunda categoria, ele é chamado, como disse o Sebastião Caixeta, de terceirizado. Muitas vezes em audiência, nós ouvindo testemunhas, percebemos que todo mundo tem nome, menos uma determinada pessoa que é chamada de terceirizado. É o terceirizado, a terceirizada, ela perde a identidade, porque ela perde a identidade dela com a empresa, o que é essencial, é da natureza do direito do trabalho (Renato Henry Sant’Anna, ANAMATRA).

Uma demonstração de como o ideal liberal se tornou parte da convicção de pertencimento de parte da sociedade.

Os trabalhadores terceirizados recebem um tratamento diferente dos trabalhadores diretos, quando no ambiente de trabalho da empresa contratante.

Assim, ao aportar uma concepção ampliada de isonomia (salário, direitos e tratamento), o corpus de análise permite afirmar que, frente às injustiças produzidas pela terceirização, a igualdade entre os trabalhadores e a demandada tanto em termos estatutários (Fraser, 2015) quanto em termos de igual valor moral dos trabalhadores terceirizados. Essas duas demandas estão fortemente articuladas, na medida em que o trabalho identifica que a terceirização produz uma ameaça de cisão da classe trabalhadora entre trabalhadores. Enquanto aqueles teriam seus direitos, sua representação e sua remuneração equitativamente garantida por meio, por exemplo, de convenções coletivas de trabalho, estes, alocados em categorias distintas apesar de desempenharem funções correlatas, não teriam nem mesmo sua dignidade respeitada.

Tem-se, portanto, duas facetas da luta por igualdade entre os trabalhadores: uma faceta operacional, posta em prática por meio da reivindicação de isonomia em três dimensões; e uma faceta normativa, que é acionada pelas demandas de respeito à dignidade do trabalhador terceirizado.

Na faceta operacional, a terceirização seria um mecanismo que impede a paridade entre trabalhadores diretos e terceirizados, na medida em que expõe estes as injustiças redistributivas, representativas e de reconhecimento mais, graves. “A terceirização é negativa para os trabalhadores” (Ricardo Antunes, Unicamp). A terceirização faz “de certos atores seres inferiores, excluídos, estrangeiros, ou simplesmente invisíveis e com menos que parceiros de pleno direito na interação social” (Fraser, 2015, p. 328).

Assim, a paridade de representação requer que todos os trabalhadores de uma mesma categoria (ou categoria análoga) sejam representados pelo mesmo sindicato. Por fim, na dimensão do reconhecimento, demanda-se a isonomia de tratamento entre trabalhadores diretos e terceirizados, ou seja, que a eles sejam providos os mesmos materiais de segurança, que eles desfrutem das mesmas condições de saúde, que tenham acesso aos mesmos espaços (como refeitórios), e, sobretudo, que eles sejam tratados como iguais no ambiente de trabalho.

As lutas trabalhistas e as lutas minoritárias compartilham do mesmo substrato moral da igualdade, definido por Benhabib (2004) como o princípio performativo moral e político da história da modernidade.

O problema que a terceirização coloca à noção de direitos universais não é que ela reduz direitos formalmente, visto que grande parte do trabalho terceirizado é assalariado formal, mas sim, na prática, porque a instabilidade econômica das empresas prestadoras de serviço dificulta o acesso dos trabalhadores terceirizados a dignidade social.

Assim, o trabalhador terceirizado tem sua dignidade extirpada, porque sua vida tem um valor inerentemente menor em comparação ao trabalhador direto, porque está exposto ao trabalho análogo ao de escravo e ao risco de ser tratado como mercadoria, pois, não tem acesso aos direitos trabalhistas, sendo discriminado nos ambientes de trabalho.

Referências

BENHABIB, S. Kantian questions, Arendtian answers: statelessness, cosmopolitism, and the right to have rights. Pragmatism, critique, judgment. MIT Press, 2004, p. 171-96.

FRASER, N. La justicia social en la era de la política de la identidad. Redistribución, reconocimiento y participación. Un debate político-filosófico.  2006a, p. 17-88.

FRASER, N. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça numa era “pós-socialista”. Cadernos de Campo, São Paulo, v. 15, n. 14/15, p. 231-9, jan./dez. 2006b.

FRASER, N. “Reconhecimento sem ética?”. Teoria crítica no século XXI. 2007, p. 113-40.

FRASER, N. Scales of justice. Reimagining political space in a globalizing world.  2008.

FRASER, N. Pour une critique non culturaliste de la culture. Remarques à propos des classes sociales et des statuts sociaux dans le capitalisme globalisé. 2015, p. 323-52.

HONNETH, A. Le droit de la liberté. Esquisse d’une éthicité démocratique. 2015.

Resenha  da tese de doutorado “O futuro da humanidade que trabalha”: reconfiguração moral das lutas trabalhistas frente à terceirização, 2016  Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

3 de jan. de 2024

Trabalhadores suecos enfrentam Tesla.

 O que começou, há nove semanas com mecânicos suecos solicitando uma digna negociação coletiva transformou-se numa luta contra a precarização que a tesla quer trazer para a região nórdica.

Aceitar a cultura de dignidade social sindical na Suécia poderia encorajar os trabalhadores da Tesla em outros países a também querer um acordo coletivo sobre salários e condições sociais. Também poderia alimentar os esforços de sindicalização dos trabalhadores americanos da Tesla.

Para a sociedade dos países nórdicos-Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia – a luta com Tesla e Musk, e uma obrigação social.

“Se uma grande empresa internacional puder (prevalecer) no mercado de trabalho sueco e não assinar um acordo coletivo, o que isso nos diz que outras empresas no futuro aceitarão o modelo atual?” Jesper Petersson, porta-voz da IF Metall, que representa a mecânica da Tesla.

Durante mais de um século, os sindicatos nórdicos ajudaram a definir as condições de emprego dos seus membros, negociando com os empregadores e assinando acordos coletivos.

De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), uma média de 83% de todos os trabalhadores dos cinco países estão contemplados com contrato coletivo. Os governos dos países nórdicos preferem a negociação coletiva a legislar sobre um salário mínimo, que existe em outros países europeus.

Mas uma subsidiária da Tesla na Suécia recusou-se a assinar um acordo coletivo com a IF Metall. Em resposta, os mecânicos contratados pela Tesla para fazer a manutenção dos seus carros no país entraram em greve no final de outubro e não voltaram ao trabalho.

O papel dos acordos coletivos no mercado de trabalho sueco é “fundamental e profundo”, segundo Mikael Hansson, professor especializado em direito trabalhista na Universidade de Uppsala.

Portanto, houve uma onda de “greves de solidariedade”. Os estivadores suecos bloquearam as entregas de carros Tesla nos portos do país, os eletricistas recusaram-se a servir as estações de carregamento e os funcionários dos correios até pararam de entregar matrículas.

No início de dezembro, os sindicatos que representam os trabalhadores portuários na Dinamarca, Noruega e Finlândia anunciaram planos para bloquear todas as exportações de carros Tesla para a Suécia a partir dos seus portos.

 


A IF Metall está pagando aos mecânicos em greve até 130% de seus salários habituais, incluindo contribuições para seus fundos de pensão e férias, disse Petersson no sindicato.

Investidores apoiam trabalhadores

Os trabalhadores suecos já lutaram – e venceram – esta batalha antes. A Toys R Us tentou impedir à negociação coletiva em 1995, mas respeitou após três meses de ação sindical, que incluiu greves de solidariedade.

Desta vez, os investidores nórdicos também aderiram à luta. Um grupo de 16 investidores institucionais, incluindo fundos de pensões e gestores de ativos, instou a Tesla, numa carta enviada no início deste mês, a respeitar a tradição de negociação coletiva da região e expressou “profunda preocupação” com a atitude da empresa em relação aos sindicatos.

O fundo dinamarquês PensionDanmark, cossignatário da carta, deu um passo adiante. No início do mês de dezembro, ela anunciou que havia vendido sua participação de US$ 70 milhões na montadora, citando a “negação inflexível” da Tesla aos acordos de negociação coletiva.

Laura Carlson, professora de direito na Universidade de Estocolmo, não se lembra de outro caso de desinvestimento destinado a defender as tradições laborais da região nórdica. E ele acredita que é improvável que Tesla vença em sua tentativa de contorná-los. “Os acordos coletivos são a base da legislação laboral na Suécia”.

Por enquanto, a Tesla se mostra totalmente contra ao respeito social que os trabalhadores nórdicos conquistaram em seus países. No início de dezembro, publicou um anúncio para um cargo no departamento jurídico e de assuntos governamentais dos países nórdicos, especificamente para alguém "com um histórico comprovado na introdução de mudanças regulatórias" na região. O candidato selecionado ajudará a garantir que os “quadros políticos, regulatórios e fiscais” dos países nórdicos “apoiem a missão da Tesla”, de acordo com o anúncio publicado no LinkedIn.

A posição da empresa demonstra desconhecimento do contexto sueco ou para a empresa este país e uma colônia na África, Asia ou na América Latina.

Vamos dar golpe em quem quisermos", diz dono da Tesla, sobre a Bolívia. No twitter, bilionário respondeu provocação sobre interesse em derrubar Evo Morales para ter acesso a lítio boliviano.

O lítio das baterias que alimentam os veículos da Tesla estão no pano de fundo da disputa que motivou o golpe de estado contra Evo Morales, na Bolívia - Win McNamee / Getty Images via AFP. As políticas nórdicas de Morales sobre os recursos naturais Bolivianos foram a morte de seu governo.

Voltando a região nórdica.

“Isso mostra uma total falta de compreensão do que é o sistema (de negociação coletiva) e quão fundamental ele é na sociedade sueca, e não apenas no sistema jurídico”.

https://cnnespanol.cnn.com/2023/12/30/trabajadores-nordicos-elon-musk-2023-trax/

https://www.brasildefato.com.br/2020/07/25/vamos-dar-golpe-em-quem-quisermos-elon-musk-dono-da-tesla-sobre-a-bolivia

https://noticias.r7.com/internacional/citando-bolivia-elon-musk-defende-patrocinio-a-golpes-de-estado-27072020

23 de dez. de 2023

Prepom Portuário Santista 2024

 Prepom Portuário para o porto de Santos, cursos para o primeiro semestre de 2024

CESSTP Curso Especial em Segurança e Saúde no Trabalho Portuário - 24h 15 turmas com 450 vagas

COTPC Curso de Operação de Trator e de PÁ Carregadeira-24h 03 turmas com 90 vagas

COEPP Curso de Operação de Empilhadeira de Pequeno Porte-33h 03 turmas com 90 vagas

COEH Curso de Operação de Escavadeira Hidráulica-21h 03 turmas com 90 vagas.

 Ao ver os cursos ofertados para o porto de Santos após 8 anos de fórum de qualificação portuária, workshop criado para aprimorar o Prepom Portuário, se percebe o quanto estamos distantes.

Ao estudar e atenuar os levantamentos de equipamentos e investimentos atuais e futuros há um descompasso sentido na falta de cursos aos trabalhadores portuários, como acontece em portos mais eficientes da Europa e da América do Norte.

Isso já traz uma enorme perca para os trabalhadores portuários do porto organizado de Santos pertencentes ao quadro do Ogmo, no crescimento profissional, pois, não tem acesso aos cursos de gestão operacional, cursos do programa de desenvolvimento portuário PDP, curso de gestão portuária e as MBAs e pós graduações.

A turma na beira do cais santista está na bronca por somente ter 90 vagas para o curso de Operação com Escavadeira Hidráulica (COEH) onde as vagas para tal formação será disputada por 391 estivadores membros da escala do trator. Infelizmente no porto santista o gestor portuário não tem empatia com o TPA que ele faz a gestão da mão de obra.

 Mudanças são necessárias para não sermos somente o país do jeitinho. E não precisa de muito, mais sim de humildade e seguir a Organização Internacional do Trabalho.

A convenção 137 da OIT em seu Art. 6 — sejam aplicadas regras adequadas para formação profissional dos trabalhadores.

Na resolução 145 da OIT em seu artigo 18 todos os esforços devem ser feitos para o treinamento ser fornecido com antecedência de qualquer alteração prevista nos métodos de operação.

Na Convenção 152 da OIT no art. 4º — 1. c) a formação para garantir a proteção dos trabalhadores contra os riscos de acidente ou de prejuízos para a saúde que resultem de seu emprego, ou que sobrevenham no exercício desse;

A postura do Ogmo junto a qualificação dos trabalhadores pertencentes ao seu quadro de mão de obra, desconhece a relação do avanço tecnológico, o crescimento do tráfego e da velocidade na permanência dos navios atracados no porto. A atividade portuária é vetor de modificação permanente da beira do cais Santista e somente a formação consegue atingir um grau de integração com seu entorno imediato, tanto para o TPA como para o porto, em uma sinergia de amplo benefício.

Para uma comparação segue os cursos para o porto de Santos nos últimos 3 anos.

Prepom Portuário 2021

SANTOS 1 curso com 35 turmas para 1050 vagas.

CAPTP Curso de Atualização Profissional do Trabalhador Portuário-45h 35 turmas

Exame ou Banca avaliador

E-OEPP Empilhadeira de Pequeno Porte- 300 vagas.

E-OEGP Empilhadeira de Grande Porte- 20 vagas.

Prepom Portuário Santos 2022

CAPTP Curso de Atualização Profissional do Trabalhador Portuário-45h 25 turmas com 750 vagas

Curso de Atualização em Segurança e Saúde no Trabalho Portuário (NR 20 E NR 35)– 14h 13 turmas com 420 vagas.

CAOEPP Clamps Curso de Atualização em Operação com Empilhadeira de Pequeno Porte com Clamps – 12h/07 turmas com 70 vagas.

Cancelamento dos Cursos CADF/01 ao CADF/03; CPOPMMV/01 e 02; COTPC/01 ao COTPC/03 e CAOPC/01 ao CAOPC/07 do OGMO de Santos. Cancelamento dos Exames E-OEPP/01 ao 12; E-OTPC/01 ao 06; E-OEGP/01 ao 07 e E-OSL/01, 02, 03, 04 e 05. Do OGMO de Santos.

Prepom Portuario 2023

Santos 15 cursos 150 vagas.

COEGP Curso de Operação de Empilhadeira de Grande Porte 53h 03 turmas com 30 vagas

COPR-SC Curso de Operação de Ponte Rolante com Spreader Clamp : 20 h 04 turmas com 40 vagas

COTPC Curso de Operação de Trator e de PÁ Carregadeira-24h 03 turmas com 30 vagas

CAOEPP-CLAMPS Curso de Atualização em Operação com Empilhadeira de Pequeno Porte com Clamps – 12h 2 turmas com 20 vagas.

CAOEGP Curso de Atualização na  Operação de  Empilhadeira de  Grande Porte 26h 03 turmas com 30  vagas .https://www.marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/PREPOM%20PORTU%C3%81RIOS%202022%20Alt.%206.pdf

https://www.marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/prepom/portuarios/PREPOM%20Portu%C3%A1rios%20%202023%20Alt.2.pdf

 file:///C:/Users/jores/AppData/Local/Temp/847b8f2a-1b15-4166-a180-88f563ff7a00_PREPOM-Portuarios%20-%20Anos%20Anteriores_0%20(1).zip.a00/PREPOM-Portuarios%20-%20Anos%20Anteriores/PREPOM%20Portu%C3%A1rios%202021%20ALT%203.pdf

https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_235871/lang--pt/index.htm

https://joresimao.blogspot.com/2015/03/resolucao-145-da-oit.html

https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_236161/lang--pt/index.htm

 https://www.marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/prepom-portuarios/1%20SEMESTRE%20PREPOM%202024.pdf

10 de dez. de 2023

O desrespeito profissional da ORSTED na atividade portuária

 Em resposta ao desrespeito profissional os Estivadores, ILA 1411, iniciaram um movimento paredista traduzido popularmente em greve no State Pier em New London. Ørsted, que junto com a Eversource transformou o cais em um hub port para seus projetos eólicos offshore.

Aconteceu apenas um mês depois de vários estivadores terem feito piquetes nos portos de todo o país em protesto contra a empresa dinamarquesa de energia Orsted, que ignora o respeito profissional.

Os estivadores se recusaram a carregar uma barcaça no State Pier com peças eólicas offshore para um dos projetos de Orsted como parte de seu protesto. Pois, a empresa só quer os estivadores para engatarem desengatarem e peção (lashing e escoramento) e não para operar os equipamentos e supervisionar as operações.

“Não vai ficar carregado. Estamos aqui. Estamos na rua. Não está lá trabalhando. Estamos tentando fazer com que Orsted volte e perceba que o porto é do estivador e não de empreiteiras, e queremos que todos aqui na comunidade percebam que Orsted é uma entidade estrangeira e é para nossa segurança nacional que não sejam eles que ditem como e quando trabalhamos.

“Parece que a indústria eólica será uma grande indústria e eles vão precisar de nós para carregar e descarregar. E sentimos que nos últimos 100 anos progredimos desde qualquer maquinário que surgiu, desde os guinchos a vapor até os portêineres, até agora, e nos adaptamos o tempo todo.”

Um porta-voz de Orsted disse em um comunicado que eles estavam desapontados com as ações da ILA e disseram que a ILA está protestando contra um projeto que coloca até 30 de seus próprios estivadores para trabalhar no carregamento e descarregamento de componentes de energia eólica offshore. No entanto, a ILA continua a sua disputa com a União Internacional de Engenheiros Operacionais sobre dois outros âmbitos profissionais.

Por isto iniciaram uma greve por tempo indeterminado em State Pier, New London, Connecticut, devido à recusa de Ørsted em reconhecer a jurisdição da ILA de carga e descarga de carga no porto. As peças da turbina de Ørsted são para o parque eólico South Fork de Ørsted, na costa de Long Island.

Além da greve e piquetes também esta acontecendo a distribuição de panfletos para conscientizar a comunidade sobre a postura gananciosa da empresa. Em frente aos escritórios Ørsted em Newark .

Esses trabalhos de carregamento e descarregamento do equipamento de moinhos de vento no Porto de Nova Londres pertencem aos estivadores da ILA.

Enquanto os estivadores cruzam os braços, Orsted traz furas greves ou sub profissionais gerando tensões em New London. Será que estamos retornando a década de 1930 para a profissão portuária?

Em um comunicado, o porta-voz da Orsted, Tory Mazzola: “A equipe South Fork Wind continua os preparativos hoje para o próximo carregamento da primeira turbina eólica do projeto. Com a ILA ainda se recusando a trabalhar – e tentando hoje bloquear o acesso de outros trabalhadores sindicalizados de Connecticut ao local de trabalho – tivemos que adotar um plano de contingência para manter este trabalho no caminho certo.”

 


Na manhã de quarta-feira, dois ônibus tentaram cruzar o piquete no porto, com a presença de sub profissionais. Os estivadores foram ameaçados de prisão, mas recusaram-se a ceder. Depois de um impasse tenso, os ônibus finalmente recuaram. Mas com uma forte presença policial com ajuda da polícia estadual os guiou para dentro do porto. Do ônibus desembarcaram trabalhadores dos Sindicatos dos Oficiais de Construção, dos Engenheiros Operacionais e supervisores da Siemens Gamesa, incluindo alguns de outros países.

 A área de State Pier, que está sendo reconstruído para se tornar um hub port para indústria eólica offshore. Em todo país onde grandes empresas querem atuar aumentado seu lucro uma das desculpas e que os sindicatos atrapalham e outra e a falta de qualificação da mão de obra, que o trabalho exige treinamento em máquinas pesadas, o que desqualifica os estivadores para algumas funções no Píer Estadual.

Na quinta-feira, encerrou se a greve de três dias contra a Ørsted.

Uma demonstração temporária de boa-fé, tentando fazer a coisa certa para a iniciativa de energia verde do presidente da nação, mas isso é temporário. No entanto, os estivadores não desistiram da sua afirmação de que devem operar os guindastes e veículos usados para mover peças de turbinas e pás eólicas na beira do cais.

O mais interessante desta disputa e que os impostos destes trabalhadores impedidos de praticarem sua profissão está sendo usado para a empresa realizar o projeto.

“Temos obrigações com o estado de Nova York de entregar South Fork Wind e com o estado de Connecticut de usar o State Pier financiado pelo contribuinte para a montagem de turbinas, e não podemos permitir que esta paralisação improdutiva do trabalho atrase qualquer uma das obrigações”, disse Ziogas em declaração.


As convenções e resoluções da OIT para o segmento portuário, determina que se em um porto acontecer uma mudança tecnológica a mão de obra local deve ser habilitada para poder continuar a trabalhar com dignidade social.

Então quando a ILA local solicita a Ørsted treinamento aos estivadores para operar guindastes e veículos especializados para mover peças de turbinas ao redor do cais até os navios, quem desrespeita a legislação internacional e a empresa. Pois, a Ørsted US assumiu muitos compromissos com os trabalhadores, incluindo a reciclagem para carregar e descarregar produtos Ørsted, mas não os cumpriu.

Os estivadores são os profissionais que fazem o trabalho as tarefas e funções para a carga, descarga e movimentação de mercadorias dentro dos portos e na beira do cais.

“É um crime que uma empresa externa possa fazer o que fez, ignorando e destruindo a jurisdição central histórica e pensando que está tudo bem. É um ataque à nossa jurisdição, não é apenas a perda desses empregos individuais”, disse Paylor.

Se moda pegar veremos médicos em tribunais e advogados em obras dando a palavra final e assinado os documentos, pois, os engenheiros já estão desempregando estivadores, desde que a empresa esteja lucrando..

https://www.wshu.org/connecticut-news/2023-10-25/longshoremen-union-workers-new-london-state-pier

https://ctexaminer.com/2023/10/27/longshoremen-temporarily-return-to-work-at-state-pier-amid-strike/

https://www.itfglobal.org/en/news/strike-against-wind-farm-giant-orsted

https://www.itfglobal.org/en/campaigns/write-orsted-work-ila-just-transition?fbclid=IwAR3qBOpDGTnW96evetoq3E6BP-yIpkkVsot-c0Pm9k5UI2kxJ19Lgy9iXAI

6 de dez. de 2023

Calote empresarial faz estivadores bloquearam porto.

 Os estivadores que atuam na carga e descarga de produtos e contêineres congelados, reivindicam uma quantia que está prevista em acordo coletivo.

Num conflito contra o passa moleque dos gestores, os estivadores foram empurrados a utilizar a ferramenta da operação tartaruga e nesta terça-feira um bloqueio parcial dos terminais portuários exigindo o pagamento de uma abono salarial que lhes corresponde por acordo, mas que os empregadores recusam pagar.

Nesta terça-feira, no acesso aos terminais 2 e 3 do Porto de Mar del Plata, estivadores reunidos na Central de Contratação e a União Portuária Argentina Unida (SUPA) bloquearam a entrada e saída de caminhões em reclamação do pagamento de um prémio correspondente principalmente à colheita de lulas. Solicitam o comprimento do acordo e que as empresas de estiva paguem 20% a mais da última colheita de lula.

Sem respostas claras sobre os motivos desta recusa de pagamento do prémio sazonal que rege o acordo e que, consequentemente, aumenta consideravelmente as margens de lucro dos empresários responsáveis pela atividade dos estivadores.

Na sequência destas reclamações de cerca de 120 trabalhadores foi retomada uma mesa de negociação com os empregadores, que está sendo empurrada “de reunião em reunião” e , “nada tem sido resolvido”. Foi este procedimento empresarial que fez com que os estivadores buscassem essa medida de força.

Enquanto as cooperativas que compõem a mesa de negociação ameaçaram os trabalhadores de romper a negociação com base na medida contundente adotada, os estivadores permanecem em assembleia permanente à espera de uma solução definitiva e, caso não, não descartam o retorno a ver navio.

Um grupo de estivadores avulsos do porto de Mar del Plata bloqueou e depois liberou o acesso aos Terminais 2 e 3 do porto local, embora permanecessem em estado de concentração em frente à entrada principal do terminal marítimo enquanto este era vigiado pela polícia.

Reclamam do calote que representa aproximadamente 200 mil pesos por trabalhador. Os estivadores asseguram que o conceito consta do acordo coletivo de trabalho 1190/11 que a SUPA assinou com as empresas de estiva autorizadas a trabalhar no Consórcio.

Um ano tudo bem era o fator covid, o segundo me deixa respirar, agora no terceiro tem que acertar a dívida trabalhista, o não pagamento e muita falta de respeito.

A estiva dos barcos jigger em Mar del Plata é realizada por estivadores eventuais a cada turno de descarga. “Às duas empresas que recusam são a “Pequeña Marina” e a “Producciones”, coincidentemente as que atendem mais barcos jigger”.

 Os estivadores dizem ter esgotado todas as oportunidades de negociação perante o Ministério do Trabalho, mas culpam a liderança da SUPA por ter chegado até aqui sem resposta das empresas de estiva.

Das câmaras de estiva garantem que não haverá negociações com o porto bloqueado. Mas essa realidade se choca com a presença das tropas da polícia na porta do terminal.

O que aconteceu neste porto e a maior prova do estado mínimo do livre mercado que tem o reflexo cruel da precariedade laboral. Sistema defendido pelos políticos, funcionários públicos e profissionais liberais.

https://quedigital.com.ar/sociedad/empresarios-se-niegan-a-pagar-un-plus-y-estibadores-y-un-bloqueo-en-el-puerto/

https://revistapuerto.com.ar/2023/11/protesta-de-estibadores-eventuales-en-terminales-portuarias/

5 de dez. de 2023

Estivadores recusam-se a descarregar e carregar carros Tesla!

Goran Larsson, contramestre, posa ao lado da bandeira do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes no porto de Malmo, em 7 de novembro. Os estivadores recusam-se a carregar ou descarregar Teslas neste porto e em todos os outros em todo o país. No porto de Malmo, no sul da Suécia, um navio de carga paira sobre fileiras e mais fileiras de carros novos e reluzentes Volkswagens, Volvos, Mercedes. Notavelmente ausentes estão os Teslas.

 Às greves são a última ferramenta de luta do trabalhador onde está em jogo, dignidades fundamentais. A greve de Tesla na Suécia é um desses ataques. 130 trabalhadores da Tesla estão em greve desde o final de outubro. O sindicato,IF Metall, organiza cerca de 300.000 trabalhadores, e tem o sangue da solidariedade. No entanto, o seu adversário e um dos homens mais ricos do mundo, que mandou sua subsidiária sueca não celebraste um acordo coletivo. E esta atitude fez com que os estivadores, pintores e trabalhadores dos correios dessem as mãos na luta pelo comprimento do modelo de trabalho sueco.

Na Noruega, onde o Fellesförbundet representa 500 funcionários da Tesla, o líder do sindicato, Jørn Eggum, disse que iria impedir a Teslas sueca de vir ao país. "A Noruega não deve ser um país de trânsito para Tesla escapar impune. Devemos responsabilizar Tesla e fazê-los comprometer-se com os acordos coletivos nos países europeus em que operam. ”

O movimento social de greve ganhou apoio dos trabalhadores dos transportes e portuários, que se recusaram a carregar ou descarregar carros Tesla em todos os portos suecos; eletricistas que se recusaram a prestar serviços ou reparações nas oficinas e estações de carregamento da Tesla, e pintores, que não trabalharão nos carros Tesla. Trabalhadores de serviços e comunicações pararam de distribuir correios e envios para Tesla.

Os estivadores suecos declararam que se recusarão a descarregar veículos Tesla nos portos suecos, a menos que o conflito seja resolvido rapidamente.

 O problema é que os prestadores de serviços não se sentem muito valorizados pelos seus empregadores, devido às condições de trabalho que são piores na Tesla do que nas outras empresas e querem que a Tesla assine um acordo coletivo de trabalho para garantir que as condições sejam alinhadas com o resto do setor industrial. A postura de um dos homens mais ricos do mundo e no mínimo deselegante, pois neste pais a adesão a sindicatos é de cerca de dois terços dos trabalhadores, mas os trabalhadores não sindicalizados ainda estão abrangidos por acordos de negociação coletiva que são negociados em todo o sector. Demostrando a falta de empatia do empresário, pois, cerca de 90% dos trabalhadores em toda a economia sueca encontra-se protegidos por algum tipo de acordo coletivo. O país nem sequer precisa de um salário mínimo legalmente obrigatório, uma vez que este é abrangido por acordos de negociação coletiva.

 Portanto, é uma surpresa que a Tesla tenha chegado tão longe sem um acordo. A Tesla é famosa por se opor à sindicalização, e a dignidade social de seus predadores de serviço. E quando entrou nos mercados internacionais onde a negociação coletiva é considerada uma coisa natural, está reclamando.

Após os trabalhadores declararem greve, a Tesla não compareceu à mesa em resposta ao aviso, portanto, os trabalhadores prosseguiram com a greve. O sindicato permanecerá de braços cruzados até que seja estabelecida uma negociação coletiva que garanta dignidade social aos trabalhadores.

Resta saber quais serão os efeitos da greve nas operações da Tesla. Isto tornará a manutenção de um carro muito mais difícil na Suécia, mas a Tesla comprometeu-se a contratar fura-greves para que as operações possam continuar sem problemas.

Para os sindicalistas este procedimento empresarial, seria ultrapassar todas as fronteiras. Esse tipo de coisa aconteceu na Suécia nas décadas de 1920 e 1930.

A solidariedade da classe trabalhadora fez com que os estivadores ficassem a ver navios em quatro portos suecos Malmö, Södertälje, Gotemburgo e Trelleborg se a greve não for resolvida.

A ação laboral sueca, e uma resposta ao que parece ser um grande passo em falso da Tesla, por se recusa em sentar-se à mesa, demostrando teimosia, ignorância da cultura sueca ou simplesmente falta de foco.

 As greves são geralmente raras na Suécia. Os níveis de dignidade social de cobertura da negociação coletiva gera o bem-estar social no país, juntamente com a transparência salarial,geradores de um forte compromisso social com a igualdade, significam que todos, em todos os sectores, tem o mesmo tratamento.

Para muitos a maior luta em décadas para salvar o modelo sindical da Suécia das práticas precarizantes, o sindicato IF Metall tem liderado uma greve em oito locais de trabalho da Tesla na Suécia durante cinco semanas.

“Lamentavelmente, não temos negociações em andamento com a Tesla Suécia no momento, mas como sempre, estamos disponíveis para novas negociações o mais rápido possível.”

A greve de Tesla é uma batalha que os trabalhadores não podem perder.

Musk é conhecido pela sua oposição agressiva aos sindicatos. A Tesla perdeu recentemente um processo nos EUA contra um trabalhador que tinha sido despedido ilegalmente por se sindicalizar, e o Conselho Nacional de Relações Laborais apontou repetidamente como a empresa investigou, assediou, disciplinou e discriminou funcionários que se filiam a um sindicato.

A Tesla se comporta da mesma maneira em todo o mundo. Oligarcas como Elon Musk e o proprietário da Amazon, Jeff Bezos, gastam muito dinheiro na destruição de sindicatos como no financiamento de voos espaciais privados.

Vivemos numa época em que o modelo nórdico não é desafiado apenas por homens como Elon Musk, mas também por políticos de extrema-direita e arquiliberais, entre outros.

 É por isso que a greve de Tesla é como uma encruzilhada histórica: o resultado desta batalha decidirá muitas outras questões nos próximos anos.



 Ambas as partes sabem que há muita coisa em jogo.

Para o movimento sindical tem a ver com o direito fundamental de ser organizado, de poder negociar coletivamente sobre salários e direitos sociais dos trabalhadores de influenciar e moldar o seu local de trabalho.

Para Musk, uma concessão ao movimento sindical será a primeira que alguma vez fez, numa situação em que o movimento sindical está na ofensiva em vários países, até nos Estados Unidos.

A solidariedade do demais (profissões) cruzando os braços ou fazendo operação tartaruga em apoiou os grevistas da Tesla.

Do outro lado, a Tesla, que traz fura-greves como os empregadores costumavam fazer durante os “grandes anos de luta” na década de 30.

Diz-se que os próprios proprietários de Tesla apoiam os grevistas. O comportamento da Tesla pode custar-lhe caro, especialmente pela sua imagem. A Suécia e os demais países escandinavos são mercados importantes para veículos eléctricos. Ao querer aplicar pela força o seu modelo económico, o fabricante americano não estaria a dar um tiro no próprio pé?

 Uma coisa não muda mesmo com o passar do tempo as armas da ganância são sempre as mesmas.

​https://electrek.co/2023/10/27/tesla-service-goes-on-strike-in-sweden-dockworkers-refuse-to-unload-cars/?fbclid=IwAR2JPVifaoCtHhBG4pUWb9E0B35MxavaO8cwCyapKHRTYcGv0MmuKvrYu18

 https://www.theguardian.com/world/2023/nov/23/elon-musk-decries-strikes-as-swedish-workers-take-on-tesla?fbclid=IwAR3HGce7nr-co6VoW_nsMHWUVAtBifHIsilIGgBhEE9POtfcLdNWyQVq3ic

 https://www.svenssonstiftelsen.com/post/the-tesla-strike-is-a-battle-we-cannot-lose?fbclid=IwAR1tj-XdTxKeDT_qPeOlKTVK6CNXfywgDItAPPWGGxeI1DGaz6Ybr3gSfcs

https://www.npr.org/2023/11/17/1213157550/tesla-sweden-union-workers-boycott

https://www.dna.fr/magazine-automobile/2023/11/29/mais-pourquoi-la-suede-boycotte-la-marque-tesla


5 de nov. de 2023

O primeiro fórum voltado aos trabalhadores portuários.

 

Com encontros mensais, grupo reunirá representantes de federações empresariais e trabalhistas e do Ministério de Portos e Aeroportos.

MPor institui primeiro fórum voltado aos trabalhadores portuários.

 De forma inédita, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) instituiu, na terça-feira (31) de outubro, durante cerimônia realizada em Brasília, o Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários. O comitê tem o intuito de ampliar o diálogo com os profissionais do setor e discutir pautas de valorização da categoria.


 Na presença de representantes de empresários e trabalhadores do setor, o ministro Silvio Costa Filho ressaltou que esse é um importante passo adotado pelo MPor para ampliar a participação da classe trabalhadora na agenda de desenvolvimento do modal. A iniciativa foi um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Nunca na história desse país, de fato, existiu um fórum permanente voltado para debater as políticas dos profissionais portuários. Estamos trabalhando para fortalecer o setor", destacou o ministro.

 "A gente precisa perseguir movimentos importantes para valorizar o trabalho desses profissionais. Um deles é o de trabalhar estrategicamente em ações que busquem qualificar e capacitar quem atua no modal portuário.


“São mais de 150 sindicatos que a partir de agora terão participação, através das federações, permanentemente aqui no ministério para poder fazer sugestões, fazer críticas, fazer propostas e para que, de maneira coletiva, a gente possa avançar na agenda de fortalecimento do setor”,

 O ministro disse que a 1ª reivindicação dos trabalhadores portuários que será discutida no fórum é a ampliação de programas de capacitação profissional para o exercício de atividades portuárias. Costa Filho afirmou que o ministério vem estruturando junto à Marinha uma ampliação de ofertas desses cursos. Ele também disse que quer estender essa conversa às federações sindicais e ao Sistema S – conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional – para melhorar a atuação dos profissionais de portos brasileiros.

 “Nós estamos modelando uma proposta que possa ampliar a qualificação e capacitação profissional do setor para que nos próximos 30 dias, dentro do fórum, a gente já apresente essa 1ª proposta”, disse Costa Filho.

Política integrada

O Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários será formado por representantes das seguintes federações: Federação Nacional dos Estivadores (FNE), Federação Nacional dos Portuários (FNP), e pela Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga, Vigias Portuários (FENCCOVIB). Do lado empresarial a Federação Nacional das Operações Portuárias (Fnop) e a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph).

O fórum e uma medida que visa estabelecer um diálogo regular entre os trabalhadores e o governo federal para que seja respeitada os interesses sociais dos trabalhadores nos portos brasileiros.

https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202310/mpor-institui-primeiro-forum-voltado-aos-trabalhadores-portuarios

https://www.poder360.com.br/anuncios-do-governo/governo-lanca-forum-permanente-dos-trabalhadores-portuarios/