24 de jun. de 2010

O desafio do transporte na Copa de 2014


Transporte entre cidades-sedes da Copa será desafio para o Brasil

Em um país continental como o Brasil,
o transporte interestadual para a Copa do Mundo será um desafio.
Na França, para receber a Copa do Mundo de Futebol, em 1998,
foi preciso investir em melhorias.
A secretária-geral para Grandes Eventos Esportivos do país,
Thérèse Salvador,
observa que um grande evento é a oportunidade para uma região
melhorar seu parque de transporte.
"Já temos infraestrutura para receber muita gente na França,
mas sempre existe um programa para melhorar, dobrar as estradas,
os trens, os ônibus", afima Thérèse.
O sistema ferroviário francês tem quase 32 mil km é o maior
da Europa Ocidental.
A malha do trem de grande velocidade TGV,
que chega a 320 km por hora em operação comercial, tem 1.872 km,
a segunda maior atrás apenas do Japão, com 2.387 km de trem-bala.
Para a Copa, as dez cidades-sede foram ligadas pelo TGV,
com o tempo máximo de três horas de viagem.
Marselha foi beneficiada na época.
O líder da Maioria no Conselho Municipal, Ives Morraine,
lembra que houve uma coincidência,
já que o TGV chegou à cidade a tempo de servir
aos torcedores que foram para a Copa.
"É verdade que o projeto já existia bem antes, mas, igualmente em 1998,
as obras da linha TGV Paris-Marselha também terminaram.
Houve uma conjunção.
Ao mesmo tempo, tivemos a chegada do TGV e da Copa do Mundo de 1998".
O projeto do trem de alta velocidade da França
conta atualmente com 299 km de linha em construção e 2.616 planejados.
Além disso, o país tem quase 900 mil km de rodovias e 478 aeroportos.
A França é a sexta maior economia do mundo e
o território é de 544 mil km quadrados, um pouco menor que o
do estado da Bahia.
A Alemanha tem 350 mil km quadrados de extensão e
a maior população da União Europeia.
A construção da rede de auto estradas começou em 1930 e
atualmente tem 12 mil km, além de 40 mil km de estradas federais.
O país tem a terceira maior densidade de estradas por carro no mundo.
O pedágio é apenas para caminhões de carga e
veículos de pequeno porte não pagam.
A linha do trem de alta velocidade alemão, o ICE,
tem 1.285 km em operação, 378 em construção e mais 670 km planejados.
Para a Copa de 2006,
o consultor da Fifa Horst Schmidt lembra que a
primeira preocupação dos alemães foi a estrutura dos estádios e a segunda,
o transporte dos torcedores entre as 12 cidades-sede.
"Quando essa tarefa estiver realizada, então se coloca de
imediato a próxima questão:
como melhorar a infraestrutura das vias de tráfego e dos transportes
em todo o país,
o transporte de transporte de estado a estado,
como também entre as cidades.
Oferecer ao torcedor boas possibilidades de locomoção,
seja nacional ou internacional".
Segundo a diretora da Secretaria de Transportes de Frankfurt,
Nora Pullman,
em primeiro lugar, veio o planejamento.
"Depois, reuniram-se em grupos de trabalho todos
os órgãos envolvidos com o sistema.
Isso foi uma experiência nova, pois,
até então, esses eventos não eram tão bem organizados.
As entidades do Emta European Metropolitan Transport Authorities
juntaram-se e marcavam o que devia ser feito com quem,
quando e onde.
Então, rapidamente entendemos como a Copa do mundo
é um evento tão grande, tão extenso e tão complexo.
"Para a Copa da África do Sul, país cujo território é
um pouco menor que o do estado do Pará,
o Departamento de Transportes está disponibilizando 110 ônibus para
a locomoção dos torcedores.
A Fifa havia sugerido o transporte entre as nove cidades-sede
de avião ou em carros alugados.
O urbanista Iuli Nascimento, que mora em Paris,
pondera que no Brasil
o caminho deve ser o mesmo.
"O país é muito grande, eu creio que eles vão ter que se organizar
com o transporte aéreo, porque fazer a ligação pelo solo,
por trem,
é muito dispendioso e as distâncias são muito longas.
Também não é tradição brasileira fazer o transporte por trem.
"No Brasil, por enquanto,
o projeto do trem de alta velocidade só prevê o trajeto
de São Paulo a Campinas e ao Rio de Janeiro, num total de 511 km.
A previsão é de que ele fique pronto para a Copa do Mundo em 2014.

Por Agência Brasil

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