24 de jul. de 2010

Copa sem Garoa


Copa sem São Paulo

Independentemente do resultado de reunião no Palácio do governo de São Paulo,
reunindo o prefeito Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e
o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira,
venho a público para mostrar um outro lado desta questão que tem ficado restrita
apenas a estádios e autoridades.

A Abih-SP congrega hoteleiros que representam uma capacidade de
hospedagem de 186 mil quartos.
Nossa entidade tem 60 anos de atuação no mercado,
sendo a mais antiga e representativa do trade turístico.
Dentro do panorama de interesses e oportunidades,
São Paulo se destaca como principal ponto de valorização
e expansão turística do país nesta última década.
A Abih/SP é um importante mecanismo de representação dessa indústria,
dinâmica e eficiente,
sempre em busca de padrões internacionais de qualidade
dentro das relações de negócios voltados para o turismo.
Assim, é inconcebível pensar em uma Copa do Mundo no país
sem considerar a cidade como uma das sedes,
quiçá a sede para o jogo de abertura,
aquele que realmente é importante e gigantesco
se considerarmos aproximadamente um público estimado
de 20 mil jornalistas estrangeiros, mais delegações e entourage da Fifa.
Não bastasse o número de hotéis,
que faz da cidade a única e maior do hemisfério sul em quartos de hotel
com capacidade para atender este público,
a cidade ainda possui atrativos como restaurantes, bares, casas de espetáculos,
arenas, parques e uma infinidade de outros meios de diversão e lazer.

E possui aeroportos ou rotas que contemplem todo o Brasil e o mundo?
E as condições de atendimento médico, policiamento, transporte público,
enfim, uma série de aspectos de infraestrutura que já estão estabelecidos na cidade e que precisam apenas ser incrementados.
Se a população, estimulada pelas notícias de que construir estádio
tiraria dinheiro que poderia ser empregado em saúde, habitação e educação,
continuar a pensar apenas neste lado da questão,
perderá a verdadeira noção que o legado de uma Copa do Mundo ou
grande evento pode trazer para uma cidade.

Imaginem sete diárias de hotel para 500 mil pessoas,
público estimado do evento.
Além disso, há a expansão da economia como um todo,
gerando novos postos de emprego, e os benefícios de longo prazo,
que aparentemente são difíceis de medir mas que geram impacto positivo.
Um exemplo é que construção de um estádio novo gera um círculo virtuoso no bairro, estimulando o comércio e a moradia, além da arrecadação para novas obras,
entre outros pontos.
Sem contar que o fluxo turístico sempre melhora a imagem
de um país na comunidade internacional.
Só posso dizer que sem hotéis não há turismo,
e sem São Paulo a Copa é impossível.
Maurício Bernardino é
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em São Paulo

Por Brasil Econômico - Maurício Bernardino

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