Siderúrgicas disputam áreas para portos
Gargalos para escoar a produção motivam empresas a buscar
terminais próprios Grandes grupos siderúrgicos brasileiros encontram-se em uma
'sinuca de bico', após terem investido pesado em mineração ao longo dos últimos
anos, sem aliar o plano de verticalização a uma estratégia logística para
escoar sua produção mineral.
Agora, correm para obter uma saída portuária ao longo do litoral
fluminense, o mais próximo de suas reservas, localizadas no chamado
quadrilátero ferrífero, região com enormes reservas do insumo em Minas Gerais.
As belas paisagens, compostas por ilhas, mata nativa e pequenas
praias não são os atributos que atraem os olhares das gigantes da siderurgia
para a Baía de Sepetiba, em Itaguaí, município vizinho ao Rio. O local de águas
abrigadas é ideal para a instalação de portos, característica da qual se
beneficiam alguns terminais já instalados no entorno.
O principal alvo de disputa hoje na região é a chamada "área
do meio", que ficou conhecida desta forma por estar espremida entre
terminais da Vale e da CSN.
O Estado apurou que um dos interessados pela área é o
grupo EBX, de Eike Batista, que já está construindo um porto em um terreno
próximo voltado para minério de ferro por meio de sua controlada MMX.
Segundo fontes, o conglomerado do empresário se movimenta para
ficar com a área, que deve ser licitada em junho, segundo expectativas do
mercado. A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), no entanto, não divulga
previsão. O processo está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Em
Brasília, no entanto, há uma articulação para tentar barrar da disputa grupos
que já tenham projetos do tipo no entorno.
Questionado, Guilherme Escalhão, presidente da MMX, braço de
mineração do grupo de Eike, afirma que é cedo para bater o martelo sobre a
participação da companhia no leilão. "Precisamos esperar o edital. Não vou
dizer que interessa ou que não interessa.
Vamos olhar", afirmou o executivo, ao ressaltar que,
hoje, a prioridade da MMX é desenvolver o Superporto do Sudeste, que fica
próximo ao local que será leiloado pela CDRJ.
O porto da MMX nasce com capacidade para movimentar 50 milhões de
toneladas, mas o grupo já enxerga potencial para ampliar suas instalações.
"É clara a demanda potencial para eventualmente chegar a 100 milhões de
toneladas." Para o executivo, existe uma escassez de terminais portuários
no Rio disponíveis para escoar a produção mineral vinda do quadrilátero
mineiro. Um cenário que acaba por pressionar as tarifas portuárias.
"As tarifas são determinadas pelo mercado, que hoje é muito
restrito. Existem apenas os terminais da Vale e da CSN (na região)",
lembrou.
Situação agravada pelo fato de as duas empresas terem um volume
grande de insumo a exportar e, com isso, só destinarem uma parcela pequena do
porto aos concorrentes.
Concorrência. Desatar o nó logístico é visto pelas siderúrgicas
como tarefa indispensável para competir de igual para igual com suas
concorrentes. O presidente do Instituto Açõ Brasil (IABr), Marco Polo de Mello
Lopes, é enfático ao afirmar que as companhias não podem ficar nas mãos de
rivais. Segundo ele, o setor fez vultosos investimentos em mineração para
conseguir diminuir sua dependência do insumo produzido pela Vale.
Agora, não faz sentido ficar à mercê das tarifas cobradas pela
mineradora.
"O que se está discutindo é a possibilidade de se arrumar
corredores de exportação para as siderúrgicas que investiram para isso",
afirmou. Como as áreas são escassas, a solução, segundo o executivo, seria
criar um consórcio para que as empresas pudessem operar em conjunto na área que
será licitada.
A gigante da siderurgia mundial ArcelorMittal vê na possibilidade
de operar um porto na região uma saída para tornar a exploração minerária em
Serra Azul (MG) mais competitiva.
A empresa diz que o escoamento por meio do um terminal próprio
reduzirá problemas com a logística enfrentados por empresas da região, Por
causa, disso a empresa deve se unir à Usiminas para disputar em conjunto a
"área do meio".
O grupo mineiro, porém, deu o primeiro passo para resolver seu
imbróglio em 2010.
Na época, a companhia fechou um contrato com o grupo de Eike para
utilizar o Porto Sudeste.
A partir de 2013, a mineradora deve embarcar 39 milhões de
toneladas anuais do insumo por um período de cinco anos. O acordo foi uma saída
rápida para solucionar o grande ponto falho de sua estratégia, mas não desviou
a atenção da empresa do plano de ter um terminal próprio.
GLAUBER GONÇALVES, MÔNICA CIARELLI O Estado de S.Paulo
Não podemos esquecer que o grande diferencial do setor siderúrgico e o forte lobby em Brasilia , pois socialmente são adeptos da precarização .O que fica demonstrado nas pesquisas feitas na relação porto cidade no tocante ao maior porto do Brasil . E esta força política consegue remover poligonais , reduzindo o porto organizado .
Não podemos esquecer que o grande diferencial do setor siderúrgico e o forte lobby em Brasilia , pois socialmente são adeptos da precarização .O que fica demonstrado nas pesquisas feitas na relação porto cidade no tocante ao maior porto do Brasil . E esta força política consegue remover poligonais , reduzindo o porto organizado .
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