A
competência deve atender à necessidade do mercado a partir da participação
conjunta dos empregados e empregadores, fundamental no sistema de normalização
e certificação de competências, assim como o Governo, educadores e sociedade em
geral.
Vale notar, entretanto, que a competência não resolve o problema do
emprego, já que não foi concebida para gerar postos de trabalho, ressalta Ducci , o que não esvazia a importância do trabalho e sua projeção
internacional, sendo promissora como vantagem competitiva para os países
e para
a melhoria das relações de trabalho.
As
novas relações estabelecidas entre trabalho e formação educacional,
na opinião
de Correia , adquiriram distintas configurações no decorrer do século XX.
A mais recente tem sido marcada pela complexidade dessas relações considerando
que a concepção de formação é baseada na ideia de que os trabalhadores
desenvolvem saberes tácitos adquiridos no processo de trabalho e não ao longo
de um processo educacional formal,
constituindo-se em um dos suportes
essenciais da qualificação.
Por isso as empresas passam a ser consideradas como
sistemas que favorecem a cognição dos indivíduos, o que demonstra maior
aproximação entre as empresas e os sistemas de formação.
A compreensão sobre
como a formação profissional seria certificada passaria pelas distintas
características do tipo de certificação: por um sistema público e/ou
privado ,legislação sobre os critérios de legitimidade
das agências de formação profissional e certificação dos diferentes tipos de
conhecimento DIEESE, 1998.
Mas
não basta um conjunto de determinações para que o processo se estabeleça sem
impasses.
São significativas as críticas a esse processo, sustentadas em
questões que incluem um retrocesso aos padrões tayloristas de trabalho e a
pressuposição de vinculação ao cargo e busca de bom desempenho e resultados por
parte do trabalhador.
Dentre
as discussões mais comuns relativas aos cuidados e riscos próprios do processo,
Vargas et al. 2007 destacam:
Clareza na identificação e desenho do perfil ocupacional sob o risco de
prejudicar o trabalhador que deveria adequar-se a um perfil mal dimensionado.
Dificuldades das entidades de formação, tais como as universidades, no sentido
de concretizarem as determinações e recomendações em termos dos currículos
idealmente desenvolvidos por competências para atender aos processos de
certificação.
Garantia de reconhecimento e legitimidade dos certificados emitidos e
conquistados pelos trabalhadores no mercado de trabalho, que valorizem o
instrumento e tragam benefícios efetivos ao trabalhador.
Determinação das agências e organismos responsáveis pela avaliação e emissão
dos certificados que garantam a idoneidade e critérios de impessoalidade no
processo de avaliação para não gerarem privilégios individuais incluindo, ainda, a correspondência entre certificações emitidas por distintas entidades
credenciadas para a formação profissional.
Metodologia adequada e legítima de avaliação de competências, o que inclui os
cuidados no que tange à formulação de provas e outras estratégias de avaliação
e naqueles relativos à subjetividade inerente a ações desta natureza.
Definição de custos e responsabilidade dos atores envolvidos no processo de
certificação, de maneira a não onerar os trabalhadores e garantir a viabilidade do processo para eles.
Determinação de prazos de validade de cada certificado
e formas de atualização da certificação.
Ressalta-se,
ainda, a preocupação de que tais processos de formação profissional venham a
desconsiderar a necessária formação básica do trabalhador e levem a maior
precarização das relações de trabalho.
Dessa forma, eles converter-se-iam em
ferramentas de manipulação
e adestramento dos trabalhadores a serviço do
capital e dos resultados em termos de produtividade.
O
objetivo acabaria sendo desvirtuado no sentido de formar e certificar
mão-de-obra e não trabalhadores, o que seria uma perspectiva mais social e
cidadã PERROTTA et al., 2003. Além desses cuidados, ressalta-se a preocupação
no sentido de que sejam determinadas ações de governo que privilegiem o
desenvolvimento econômico do país.
Os
defensores dos ganhos com relação à certificação apontam para a necessidade de
valorizar a formação profissional de modo a melhorar a empregabilidade de
trabalhadores que participam de programas de formação e assegurar melhor
retorno desses programas para o Estado.
Além disso, a proposição da certificação representaria um avanço no sentido da adequação aos novos padrões de qualidade exigidos pelo sistema produtivo e submetido a novas pressões de competitividade.
Além disso, a proposição da certificação representaria um avanço no sentido da adequação aos novos padrões de qualidade exigidos pelo sistema produtivo e submetido a novas pressões de competitividade.
O
processo de certificação das competências profissionais dos trabalhadores
possibilita o reconhecimento oficial e público dos conhecimentos, habilidades e
atitudes, adquiridas por eles ao longo do tempo.
Dentre as vantagens apontadas para os processos de avaliação e certificação de competências profissionais, Vargas et al. 2007 destacam:
Dentre as vantagens apontadas para os processos de avaliação e certificação de competências profissionais, Vargas et al. 2007 destacam:
Reconhecimento das competências profissionais adquiridas ao longo da vida
independentemente do local e da forma como foram adquiridas.
Incentivo à formação permanente, num mercado cada vez mais exigente e
caracterizado por mudanças contínuas nas tecnologias e na organização do
trabalho.
Trabalhadores qualificados, segundo as necessidades do mercado de trabalho,
considerando que os processos de avaliação e certificação de competência são
baseados em normas de competência profissional afinadas com a sociedade.
O certificado como um instrumento para a tomada de decisões de trabalhadores,
empresas e governos.
Geração de possibilidades de mobilidade horizontal e vertical para os
trabalhadores, tendo em conta a transferibilidade das competências avaliadas e
certificadas. Modelos mais desenvolvidos
de certificação de competências profissionais determinam o mesmo valor para os
títulos da educação formal e os certificados obtidos por meio dos processos de
certificação.
Dessa forma, não se estabelecem valorizações diferenciadas e discriminatórias dentre as diferentes certificações.
Ao contrário, legitima-se a certificação de competências como componente do processo de valorização do trabalhador no mercado de trabalho, com o reconhecimento efetivo de seus saberes.Nessa mesma perspectiva de determinar ganhos para os profissionais, do ponto de vista do universo organizacional, os trabalhadores certificados tendem a saber mais claramente o que se espera deles nas empresas, estando mais motivados do que aqueles para os quais se determina um trabalho parcelado e desvinculado do processo produtivo de forma mais sistêmica.
Dessa forma, não se estabelecem valorizações diferenciadas e discriminatórias dentre as diferentes certificações.
Ao contrário, legitima-se a certificação de competências como componente do processo de valorização do trabalhador no mercado de trabalho, com o reconhecimento efetivo de seus saberes.Nessa mesma perspectiva de determinar ganhos para os profissionais, do ponto de vista do universo organizacional, os trabalhadores certificados tendem a saber mais claramente o que se espera deles nas empresas, estando mais motivados do que aqueles para os quais se determina um trabalho parcelado e desvinculado do processo produtivo de forma mais sistêmica.
Ao ter conhecimento dos objetivos
organizacionais e de qual o seu papel no processo produtivo como um conjunto, o
trabalhador tem melhor clareza de seu espaço de trabalho, os impactos de sua
atividade em outras da organização e, ainda, daquilo que precisa para melhoria
dos seus resultados e desenvolvimento.
Um
processo de certificação permite, ainda, que os trabalhadores tenham acesso a
competências que servem para uma gama diferenciada de
atuações, que ampliem suas perspectivas de atuação no
mercado e mesmo internamente na organização .
Ele
otimiza a compreensão do trabalhador com uma visão abrangente da organização e
sobrepõe a ideia de que basta ao trabalhador atuar mecanicamente no
desenvolvimento de uma tarefa fragmentada, descontextualizada, que não exige
capacidade mental significativa e
que não tenha impactos sobre o resultado institucional.Nesse sentido, Ducci , somente com um código de referência claramente estabelecido que identifique, construa e certifique a competência, poder-se-á constituir o eixo das políticas públicas de educação e formação de recursos humanos para o trabalho.
que não tenha impactos sobre o resultado institucional.Nesse sentido, Ducci , somente com um código de referência claramente estabelecido que identifique, construa e certifique a competência, poder-se-á constituir o eixo das políticas públicas de educação e formação de recursos humanos para o trabalho.
Tal código permitiria uma maior transparência ao
mercado de trabalho, diminuiria a discriminação aos trabalhadores, ampliaria o diálogo
dos atores sociais e suas inter-relações e possibilidades.
Fonte
Interfaces entre Qualificação, Trabalho e Certificação de Competências:
um Debate em Aberto a partir da Análise das Diretrizes Curriculares Nacionais
Interfaces entre Qualificação, Trabalho e Certificação de Competências:
um Debate em Aberto a partir da Análise das Diretrizes Curriculares Nacionais
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