REFORMA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL:
FORMAÇÃO E
AVALIAÇÃO POR COMPETÊNCIAS
O presente relato aborda a experiência, que está sendo desenvolvida
pelo Ministério da Educação em conjunto com as Instituições Federais de Ensino
Tecnológico e Sistemas de Ensino das Unidades Federadas, acerca da implantação
da Reforma da Educação Profissional,particularmente, no que tange ao processo e
aspectos da formação e avaliação por competências.
A citada Reforma se insere em um contexto de mudanças profundas
pelas quais vem passando o mundo, neste final de século,incluindo
transformações da prática social e do trabalho, às quais a educação não pode
ficar alheia.
A estrutura educacional e o modelo de oferta têm que ser
construídos de forma bastante flexível, para atender a situações diferenciadas
no tempo e no espaço, considerando as rápidas mudanças tecnológicas, as
tendências regionais e as do mercado nacional e internacional.
Em função disso, a política de educação profissional deve
guardar estreita relação com as transformações produtivas, de tal modo que a dinâmica
das inovações tecnológicas, da organização da produção e do trabalho esteja
refletida em estratégias educacionais capazes de atender às expectativas
dos
atores sociais produtivos (empresas e trabalhadores) e do Estado,
como
representante dos interesses coletivos.
As diretrizes curriculares para a educação profissional decorrem dessa visão dos papéis a serem desempenhados por esses atores, nesse contexto
de globalização, de competitividade e de tecnologias avançadas,onde o fator
humano se reveste de grande importância.
Cabe ao setor educacional construir as
competências capazes de contribuir para que o trabalhador alcance objetivos de
ordem pessoal, social e econômica, nesse novo contexto.
O novo enfoque de formação de trabalhadores ora em
implantação,
baseado num conceito moderno de competência profissional, representa um desafio para o setor educacional, uma vez que se torna
imprescindível identificar e construir novos âmbitos de saberes, que permitam
uma permanente adaptação a novas exigências dos setores produtivos,
decorrentes
do contínuo desenvolvimento de novas tecnologias.
Os saberes necessários ao
desempenho profissional, portanto, são passíveis de se modificarem com o tempo, mas as competências construídas devem capacitar os trabalhadores para a busca
de novos conhecimentos, processo pelo qual novas competências requeridas são
desenvolvidas.
É o princípio básico do aprender a aprender, que deve permear
todo o processo educacional.
A política educacional brasileira, a partir da
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96
(LDB),baseia-se, entre outros pressupostos, no reconhecimento de que o desenvolvimento
de profissionais preparados para enfrentar os desafios de economias
globalizadas e competitivas depende de uma forte educação geral
e de uma
competente educação profissional, esta complementar e dependente daquela.
A LDB, portanto, constitui um marco na educação
profissional brasileira,
uma vez que as leis de diretrizes e bases anteriores
ou as leis orgânicas para os níveis e modalidades de ensino sempre a trataram parcialmente.
Legislaram apenas sobre a vinculação da formação para o trabalho com
determinados níveis de ensino, como educação formal, quer na época dos ginásios
comerciais, industriais e agrícolas, quer,posteriormente, com
a Lei nº 5.692/71, com o ensino de 2º grau profissionalizante.
a Lei nº 5.692/71, com o ensino de 2º grau profissionalizante.
Importante se faz considerar as linhas básicas da nova
política
para a educação profissional, regulamentada pelo Decreto nº 2208/97
e pelo
Parecer nº 17/97 do Conselho Nacional de Educação,
merecendo destaque, o que se
segue.
A educação profissional no Brasil deve promover a
transição entre a escola e o mundo do trabalho, capacitando jovens e adultos
com conhecimentos
e habilidades gerais e específicas para o exercício da cidadania e das atividades produtivas.
Essa transição entre a escola e o mundo do trabalho e essas habilidades gerais e específicas presumem um trabalho coordenado e contínuo
da formação geral, que desenvolve as competências básicas concomitantemente com
a compreensão dos fundamentos científico -
tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática.
Há, também, nos objetivos dessa política educacional, uma
inovação de extrema importância tanto social como econômica: a qualificação,
reprofissionalização e atualização de jovens e adultos trabalhadores,
com
qualquer nível de escolaridade, visando conferir melhores condições de trabalho
a essa clientela.
Coerentes com os objetivos apontados, são identificados
três níveis para a educação profissional:
• Básico: “destinado à qualificação e requalificação de trabalhadores,independente
de escolaridade prévia.
” Para esse nível, não há regulamentação curricular, uma
vez que se destina a atender demandas específicas, sem exigências
pré-determinadas de escolaridade, caracterizando-se como modalidade não-formal, com cursos de duração variável.
• Técnico: destinado a proporcionar habilitação
profissional a alunos matriculados ou egressos do ensino médio.
O fato de se
prever uma regulamentação para esse nível enquadra-o
na modalidade de educação formal,
onde há normas pedagógicas,
critérios de ingresso e perfis de saída
estabelecidos em documentos oriundos das autoridades competentes.
• Tecnológico: corresponde a cursos de nível superior
na
área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico.
Pela primeira
vez, em decorrência dos dispositivos legais da LDB, são reconhecidos cursos
superiores que têm objetivos claros de desenvolver potencialidades de uma
clientela dentro da área tecnológica, criando as condições básicas para que o País
possa criar e desenvolver suas próprias tecnologias, a partir,especialmente, de pesquisas realizadas no âmbito das instituições de ensino superior.
Esses cursos, pois, deverão ser estruturados para atender aos diversos setores da economia, abrangendo áreas especializadas, e conferirão
diploma de Tecnólogo.
A valorização de todos os níveis da educação profissional se traduz no reconhecimento e na certificação das competências adquiridas, com
a expedição de certificados de qualificação profissional e de diplomas de técnico
e de tecnólogo.
Fonte CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS
Relatos de algumas Experiências Brasileiras O I T
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