4 de jul de 2017

A Chave da Cadeia Logística Portuária

 Enquanto as técnicas quantitativas focam coisas que possam ser contadas, utilizando categorias predeterminadas que podem ser tratadas como dados internos ou ordinários e sujeitos à análise estatística, as técnicas qualitativas focam a experiência das pessoas e seu respectivo significado em relação a eventos, processos e estruturas, inseridos em cenários sociais (SKINNER; TAGG; HOLLOWAY, 2000).
Mas como ajudar a refinar conceitos, conhecer reações gerais, aprender a linguagem dos atores envolvidos ou explorar novas áreas de oportunidade para explicar situações particulares e  fornecer conclusões específicas para estabelecer a frequência e a probabilidade nas quais um fenômeno pode ocorrer em determinada comunidade portuária . 
Neste contexto, o caso do porto de Valência ,Espanha, considerado Best-in-Class em clusters portuários pelo Port Cluster Governance Committee (PCGC) do Global Institute of Logistics (GLI) projeto denominado Proyecto GLIPORT: Estrategias para la Capacitación Portuária (DAVIU et al., 2010) . 
Autoridade Portuária de Valência, considerada ponto-chave para o desenvolvimento do cadeia logístico-portuária da região:
 a) Exploração e Gestão Portuária: 
1. realização de planejamento estratégico; 2. gestão econômico-financeira e coordenação, elaboração e controle orçamentário; 3. sistema de gestão por indicadores de desempenho (BSC – Balance Scorecard); 4. busca de novos tráfegos e relações com clientes; 5. estudos mercadológicos e identificação de oportunidades; 6. gestão da eficiência dos fluxos logísticos no porto (tempo); 7. gestão da eficiência dos fluxos logísticos entre os diferentes atores da comunidade portuária (tempo); e 8. redução dos custos operacionais no porto;
 b) Formação de Mão-de-Obra: 
1. atividades de formação na autoridade portuária; 2. atividades de formação para a comunidade portuária;3. atividades de formação entre distintas comunidades portuárias; 4. atividades de cooperação e formação em nível internacional; e 5. desenvolvimento de uma mentalidade que favorece a geração de valor futuro e a inovação; 
c) Qualidade: 
1. estrutura de decisão na comunidade portuária; 2. relacionamento e interação entre os agentes da comunidade portuária; 3. manual de procedimentos logísticos e operações, englobando as atividades dos diferentes atores da comunidade portuária; e 4. procedimentos de garantia de qualidade para a comunidade portuária (Marca de Garantia); d) Inovação: 
1. liberação de saída e entrada de cargas sem papel (documentação física); 2. documentação eletrônica entre os diferentes atores; 3. follow-up das mercadorias na importação e na importação; 4. controle operacional e geração de indicadores; 5. objetivos integrados dos atores; 6. desenvolvimento de visão sistêmica entre os atores; 7. foro que favorece a discussão e a integração dos atores da comunidade (Sistema de Qualidade e Marca de Garantia); e 8. tomada de decisões comuns, orientada pela autoridade portuária;
 e) Gestão Ambiental: 1. projetos de eficiência energética; 2. plano de segurança portuária segundo normas locais e internacionais; 3. avaliação dos riscos ambientais segundo padrões internacionais vigentes; 4. monitoramento do impacto ambiental; e 5. planos de investimento para a gestão ambiental portuária. Analisando-se as ações listadas anteriormente, observa-se uma série de relações de causa efeito e uma série de sobreposições entre os fatores citados. 

 Quais são as boas ações desenvolvidas pela Autoridade Portuária de Valência: 
I. Formação e Gestão do Conhecimento: 
1.  nítida integração entre o porto e o meio acadêmico (universidades); 2. existe no porto um órgão responsável pela realização de atividades de formação na autoridade portuária em diferentes níveis; 3. são oferecidas e realizadas atividades de formação para toda a Autoridade Portuária; 4. são oferecidas e realizadas atividades de formação para toda a comunidade portuária (armadores, forwarders, despachantes aduaneiros, transportadores terrestres, exportadores e importadores, etc.); 5. as atividades de formação fomentadas pelo porto integram pessoas de distintas comunidades portuárias, relacionadas com outros portos; 6. são realizadas atividades de cooperação e formação em nível internacional; 7. a mentalidade dos funcionários do porto favorece a geração de valor futuro e a inovação; e 8. a mentalidade dos atores da comunidade portuária favorece a geração de valor futuro e a inovação no sistema portuário;
 II. Gestão e Operações Portuárias: 
1. existe um sistema de gestão estratégica, integrado e flexível, orientado por um conjunto equilibrado de indicadores de desempenho (BSC); 2. existe um  sistema de gestão econômico-financeira estabelecido, o qual permite coordenar, elaborar e controlar o orçamento portuário; 3. existe uma estratégia comercial estabelecida e pró-ativa para a busca de novos tráfegos, cargas e relações com os clientes em nível nacional e internacional; 4. o porto desenvolve ativamente atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o que apóia seu posicionamento e permite a identificação de novas oportunidades comerciais; 5. as infra-estruturas portuárias apresentam-se adequados para as operações atuais e seu crescimento futuro; 6. os fluxos logísticos no porto são eficientes em termos de tempo; 7. os fluxos logísticos entre os diferentes atores da comunidade portuária são eficientes em termos de tempo; e 8. os custos operacionais no porto são baixos e as tarifas são competitivas; 
III. Qualidade dos Serviços e Alinhamento da Comunidade Portuária: 
1. há no porto um sistema de informação comum aos atores da comunidade portuária que permitem a gestão e o controle fidedigno das operações. Esse sistema de informações permite aos usuários o follow-up das cargas na importação e na importação, o controle operacional e a geração de indicadores de desempenho; 2. as tarifas referentes ao conjunto dos serviços logísticos prestados pela comunidade portuária são claras, explícitas e uniformes entre os diferentes atores da comunidade; 3. o porto conhece as necessidades e expectativas dos clientes no que se refere ao serviço global relacionado à comunidade portuária e existe uma clara preocupação de melhoria dos fluxos logístico-portuários na exportação e na importação; 4. existe integração entre os diferentes atores da comunidade portuária, a qual é fomentada pelo porto; 5. existe uma estrutura estabelecida (foro, assembléia, conselho) que apóia o relacionamento, a interação entre os atores e a tomada de decisão para o aumento da qualidade e a resolução de problemas da comunidade portuária; 6. há um sistema de qualidade devidamente estabelecido e formalizado em um manual que inclui procedimentos logísticos e de operações que englobam as atividades dos diferentes atores da comunidade portuária; 7. a documentação é emitida, transmitida, apresentada e fiscalizada eletronicamente e o sistema de informação do porto permite a liberação de saída e entrada de mercadorias sem papel (documentação física); e 8. há compensações pecuniárias estabelecidas e efetivamente pagas em casos de descumprimento dos procedimentos de garantia de qualidade; 
IV. Segurança, Responsabilidade Social Corporativa e Gestão Ambiental:
 1. o porto avalia seus riscos ambientais segundo a legislação local e os padrões internacionais vigentes; 2. o porto possui planos de investimento para a gestão ambiental portuária; 3. o porto possui planos de contingência para acidentes ambientais, riscos e emergências, orientado pela legislação local e pelas normas internacionais vigentes; 4. o porto faz monitoramento constante do impacto ambiental por ele causado (emissão de partículas, resíduos, consumo de água e energia, ruído e odores, impacto visual, etc.); 5. o porto tem projetos de eficiência energética e de sustentabilidade em andamento; 6. o porto desenvolve constantemente programas integrados de melhoria das condições de trabalho Revista Gestão Industrial 168 e da qualidade de vida, incluindo aspectos como prevenção à saúde física e mental (tais como combate à ansiedade, estresse), desenvolvimento de habilidades interpessoais, gestão de pessoas, etc.; 7. há uma boa integração porto-cidade e o porto desenvolve projetos sociais e comunitários; e 8. existe uma efetiva comunicação interna e externa da ações de responsabilidade social desenvolvidas em seus distintos âmbitos (laboral, social e ambiental) e voltadas à comunidade portuária. 
 imagem olhar do cais 
PROPOSIÇÃO DE UM MODELO CONCEITUAL EM TORNO DA PRÁTICA DA GOVERNANÇA EM CADEIAS LOGÍSTICO-PORTUÁRIAS
 Gabriel Sperandio Milan ; Guilherme Bergmann Borges Vieira

Nenhum comentário:

Postar um comentário