27 de jul de 2017

França nacionaliza estaleiro da STX


O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, informou
 nesta quinta-feira (27) que o governo de Emmanuel Macron 
decidiu nacionalizar  o estaleiro da STX em Saint-Nazaire.
“Anuncio que tomamos a decisão de exercer nossos direito de preferência
 na STX. 
O nosso objetivo é defender os interesses estratégicos da França. 
A decisão de exercer esse direito que apenas adotamos é uma decisão
 temporária”, informou Le Maire. 
Ao mesmo tempo em que fez o anúncio, o ministro informou que fará 
uma reunião na próxima terça-feira (1º) com o ministro da Economia da Itália, 
Pier Carlo Padoan, e do Desenvolvimento Econômico, Carlo Calenda.   
O caso abriu uma crise porque, durante o governo do então 
presidente francês François Hollande, o grupo italiano Fincantieri 
concordou em pagar 79,5 milhões de euros 
por 66,6% das ações da STX, que até então estava sob controle da
 companhia sul-coreana homônima que faliu.   
O Tribunal de Seul está vendendo a STX francesa “em partes” 
e dois terços 
da companhia acabaram ficando na mão dos italianos.

 A Fincantieri e a Fondazione CrTrieste fizeram o acordo para a compra,
 dando assim a maior parte das ações para o grupo formado pela Itália.  
 O problema agora é que Macron, que sucedeu Hollande, 
quer rediscutir os termos de compra – fato completamente rejeitado 
pelos italianos. 
Ontem (26), Le Maire deu diversas entrevistas afirmando que 
o governo francês  queria propor uma gestão “50%-50%”
 com os italianos, sendo que a  Fincantieri ficava com 50% das cotas
 e os investidores franceses com a outra metade.   
Le Maire ainda destacou que essa nacionalização foi feita
 “para debater” os termos de um novo acordo, já que
 “não há nenhuma suspeita contra os amigos italianos”. 
  “De nossa posição, não vamos nos mover um pouco sequer
 por razões de mérito,
 mas também por dignidade e orgulho nacional”, 
disse Calenda lembrando que
“nenhum ultimato” pode mudar um acordo já firmado.   
Já Padoan destacou que “não há nenhum motivo para a Fincantieri” 
diminuir sua parte  porque o grupo está focado no desenvolvimento
 industrial da STX em Saint-Nazaire.   
O CEO da Fincantieri, Giuseppe Bono, também mostrou que não 
está disposto a nenhuma negociação e lembrou que 
“nos últimos anos, eu gosto de lembrar disso, 
a Fincantieri entregou 50 navios contra 12 de Saint-Nazaire”.
 “Nos aliando com STX queremos criar um campeão europeu e 
não vamos aceitar sermos tratados pior do que os coreanos”, 
acrescentou Bono.   
 Macron quer renegociar o acordo porque os italianos acabariam controlando
 o único grande estaleiro francês, um ponto considerado “estratégico”
 pelo governo. 
Além disso, o presidente teme que a gestão italiana possa causar demissões e gerar,
 por consequência, protestos maciços de sindicatos em um ano em que 
o presidente quer debater temas ligados à reforma trabalhista. (ANSA)
Durante a última crise no setor, a carteira de pedidos do STX estava vazia, 
e o governo deu o primeiro passo para evitar um fechamento permanente,
 preservando empregos e a economia.
Além disso, uma outra ameaça surgiu no horizonte com a falência da STX:
 o conglomerado acionista majoritário da Coreia do Sul,
 para recuperar algum dinheiro, tentou vender a filial francesa.
O único candidato a apresentar oferta foi a Fincantieri, 
o grande rival histórico de Chantiers de l’Atlantique. 
O grupo italiano foi escolhido pelo tribunal de Seus para retomar a STX France, 
ou seja, os estaleiros de Saint-Nazaire pelo preço de 79,5 milhões de euros 
por 66,6% de participação.
Esta perspectiva de tomada dos estaleiros pelos italianos causou preocupação,
 por três questões principais. A primeira, estão em jogo os 7 mil empregos.
 A segunda é a ligação da Fincantieri com a China, e o medo desta capacidade
 de construção seguir para a Ásia. E, por fim, Saint-Nazaire é o único local 
capaz de construir grandes cascos de navios militares.
Por estes perigos, François Hollande e sua equipe chegaram a um acordo com Roma.
 Eles contestaram, afirmando ter mais direitos. Eleito,
 Macron desafiou o compromisso firmado e propôs um capital social 
na base do meio-a-meio entre franceses e italianos. 
Eles recusaram, dizendo ter mais de 50%. Assim, o governo francês decidiu
 usar o direito de preferência, mesmo que, com isso, desagrade o governo italiano.
A direita acabou por entender a ação de Macron. 
A esquerda acha a nacionalização bem-vinda, pelos interesse industrial e estratégica.
 Já a liderança da STX achou uma decisão que carrega o prenúncio de
 “um novo tempo infeliz”.

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